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TARA PERDIDA

                       ENTREVISTA EXCLUSIVA, AQUI

POR : IAC
ENTREVISTA
À CONVERSA COM 

O GUITARRISTA DOS XUTOS & PONTAPÉS, FALA DE SI, DA BANDA, DA MÚSICA EM PORTUGAL, DO ESTADO DO PAÍS...

PARA OUVIR AQUI
ENTREVISTA : IAC

MARTIN LEVAC ENTREVISTA

A ALMA E O ROSTO DO "DANCE INTO THE LIGHT" EM ENTREVISTA, ANTES DOS CONCERTOS DE LISBOA E PORTO, DESTA SEMANA.

UM EXCLUSIVO IMAGEM DO SOM
PARA LER AQUI
ENTREVISTA
RUI VELOSO À CONVERSA COM A IMAGEM DO SOM
                                                            
  PARA OUVIR AQUI

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ENTREVISTA, KLEPHT

KLEPHT



A ENTREVISTA EXCLUSIVA À IMAGEM DO SOM


Num hotel do Porto...

18 de Março de 2010

 
KLEPHT. Ou a boa nova música portuguesa e em português



A escassas horas do seu concerto no Plano B, o primeiro de há seis meses a esta parte, os KLEPHT estiveram à conversa com a Imagem do Som.

Um espírito jovem e uma enorme vontade de vencer caracterizam vincadamente a maneira de estar destes cinco jovens, que sublinham orgulhosamente o facto de serem uma “banda” e de tudo aquilo que de mais musicalmente puro este conceito encerra. Dizem que vieram para música portuguesa para ficar, e nada mais querem do que fazer boa música e, com ela, melhorar continuamente: de espectáculo para espectáculo, de álbum para álbum.

O mais recente registo de estúdio, de seu nome HIPOCONDRIA e o segundo da banda, bem como a forma como vêem o panorama musical nacional, eram temas mais ou menos obrigatórios. Mas a conversa começou pelo espectáculo do Plano B, e pelo sentimento dominante da banda relativamente ao mesmo: seria, de alguma forma, o peso da responsabilidade pelo estrear de um novo ciclo?

Diogo Dias – O sentimento que predomina é a ansiedade de voltar a um palco. Nós já estamos há 6 meses sem pisar um palco e sem tocar ao vivo. Acabámos agora de gravar o segundo disco e foi uma experiência fantástica, mas onde nos sentimos mais realizados é em cima do palco.

Marco Reis – E sentimos o peso da responsabilidade também, porque quando fazemos o primeiro álbum ninguém está à espera de nada de nós; é o primeiro disco, é uma banda nova… Quando fazes o segundo, se o primeiro correu bem, tens uma maior responsabilidade, as pessoas já estão à espera de alguma coisa. Nós vamos aproveitar este concerto para experimentar 4 temas do novo disco e claro que estamos ansiosos para ver a reacção das pessoas.

E também têm esse sentimento de responsabilidade relativamente aos concertos?

Marco Reis – Mais do que relativamente aos concertos, sentimos isso por toda a estrutura web na qual estamos envolvidos, nomeadamente o Facebook e o MySpace, por onde recebemos montes de e-mails e mensagens, através das quais começamos a aperceber-nos que a coisa está a crescer. Mas sim, sente-se também nos próprios concertos, quando estamos à espera que as pessoas apenas cantem o single e temo-las depois a cantar mais do que um tema, como já sucedeu. É o tipo de coisa na qual acreditas, mas não estás à espera… Tudo isso contribui para uma maior responsabilidade futura como banda.

Diogo Dias – Uma coisa que nós quisemos com estes dois álbuns foi que a banda fosse crescendo de uma forma gradual. Nós nunca investimos muito na imagem, queríamos só que as pessoas conhecessem a música. E as pessoas muitas vezes iam aos nossos concertos e não sabiam que músicas é que nós tocávamos. Quando lançámos o primeiro disco, a reacção das pessoas era mais de expectativa, havia apenas uma ou outra música que cantavam. No final não, a máquina já estava muito mais oleada, tínhamos um concerto preparado de início ao fim, coisa que com este álbum tarmbém estamos a preparar. O concerto de hoje vai ser um misto daquilo que já não fazemos há 6 meses, se bem que de forma mais intimista – o Plano B dá-se a isso – e vamos experimentar os temas novos, o que é sempre uma sensação estranha. É claro que vão estar muito mais despidos do que estarão quando nós começarmos mesmo a produzir o espectáculo para este álbum, mas é um teste para nós também rodarmos e para a máquina voltar a engrenar.

 Porquê mais despidos?

Marco Reis - Nós neste disco, para além da base instrumental normal, o Diogo gravou vários teclados diferentes, por exemplo... Portanto, para reproduzirmos ao vivo tudo exactamente como no disco, precisávamos p’raí de mais 3 pessoas. Vamos ter algumas coisas a ser disparadas, previamente gravadas por nós em estúdio. Vamos ter muito mais responsabilidade, vamos estar a tocar com metrónomo, e por isso tem que ser tudo na hora. Estmos dar um passo grande…

Diogo Dias – … e um passo em frente e queremos que o concerto seja mais “à frente”: estamos a falar de um concerto de luzes, de quase coreografia em palco… Eu acho que cada vez há mais oferta de música, cada vez há melhores bandas, e por isso queremos inovar no espectáculo ao vivo, quase que tornando-o num teatro musical. O concerto de lançamento será em princípio no final de Abril e também em princípio no LX Factory, pelo menos é o que hoje está apalavrado, e aí sim vamos dar um cheirinho daquilo que será o nosso Verão. É claro que quantos mais concertos nós damos, melhor ficará. Para o ano, quando dermos um concerto, de certeza absoluta que a coisa vai ser muito mais grandiosa do que será agora.

Filipe Contente – A visão que temos para o nosso projecto é muito própria, e nós achamos que hoje há muita coisa que não sendo mal feita, é mal encaminhada... Nós tornamo-nos numa banda 100% independente neste momento, porque percebemos que ninguém faz melhor o nosso caminho do que nós próprios. Não temos como ambição ser a melhor banda de Portugal nem nada assim, queremos é estar cá por muito tempo, queremos construir uma carreira. E para conseguirmos isso temos que mostrar cada vez mais e mais qualidade em tudo o que fazemos. E foi por isso que fomos gravar um disco com o nosso dinheiro, com uma produtora que tem dois Grammys, que gravou Johnny Cash, Foo Fighters, Smashing Pumpkins, Prince e por aí fora… Quanto ao espectáculo ao vivo… nós demorámos, se calhar, o primeiro álbum todo a conhecermo-nos melhor enquanto banda e neste álbum sentimos a confiança para evoluirmos um bocadinho a nível musical. O álbum está mais rock, está muito mais produzido, e queremos transpor essa qualidade que exigimos para o álbum, agora para o espectáculo ao vivo. Temos o objectivo de nos surpreendermos a nós próprios e sobretudo surpreender o público.

Isso é uma aposta fortíssima e exige uma fé tremenda em vós próprios, não é? É difícil?

Diogo Dias – É, sobretudo quando vemos em Portugal bandas com álbuns inacreditavelmente bons que ficam de lado. Não passam nas rádios, não há concertos, e eu acho que por causa dos vícios do mercado português... Isto vai bater no que o Filipe dizia da nossa independência relativamente a managers externos; isto permite que a entrega seja maior, porque das duas uma: ou vencemos, ou não vencemos. E temos que vencer. E o Filipe enquanto nosso manager tem essa garra e isso permite-nos acreditar de facto a 100% no projecto, bem como a fazermos um segundo álbum que resultou exactamente naquilo que queríamos, e o qual acreditamos que tem um potencial forte.

Filipe Contente – Tem a ver com uma coisa que tu disseste e que nós sentimos mesmo: nós queremos fazer música, não queremos fazer mais nada. Não queremos ser estrelas e não queremos ter destaque por outras coisas que não a música, e procuramos sempre esse caminho. Por isso é que no nosso primeiro álbum estávamos preocupados que as pessoas conhecessem a música; não pelas caras, nem por ter lá o Diogo da MTV... E por isso é que nesse álbum ninguém vê quase a nossa cara. Nós sabíamos que o projecto ia ser alvo de críticas por ser a banda do Diogo da MTV, e teremos sido prejudicados por isso, e a nossa forma de o contornar foi escondermo-nos e só mostrar música. Nós neste momento temos cerca de 2 anos de mercado português e 6 singles nas rádios – quatro do primeiro álbum e agora 2 deste novo – e sentimos que isto por si já é inédito, sentimos cada vez mais a coisa a crescer enquanto banda.

Uma coisa que nós gostávamos é que este projecto corresse bem e, com este, outros projectos paralelos. Porque há mercado em Portugal; é fraco, mas há mercado. Está é muito mal direccionado. Eu não gosto de dizer mal de nada... mas pega por exempo nos “Ídolos”: um programa de televisão, é bom, os jovens vão para lá cantar, mas a verdade é que aquilo rouba mercado às bandas portuguesas e à música portuguesa. Rouba um grande mercado...

Mas há o pessoal com educação e formação musical que concorre aos “Ídolos” porque vêem ali uma via muito mais garantida, e se calhar um caminho muito menos penoso, do que aquele que vocês optaram por trilhar….

Filipe Contente – Isso é a mania do caminho fácil e os caminhos fáceis nunca são os melhores. Se alguém quiser fazer música séria e quiser fazer realmente parte da música, tem que seguir o seu próprio caminho, porque ir atrás dos outros…

Diogo Dias – Sinceramente o que me dá pena – e agora vamos nós bater na tecla dos “Ídolos” não sei quantas vezes – é que há grandes talentos ali, mas acaba o programa, vão fazer uma tournée, e depois? O que é que é feito das pessoas que ganharam os outros “Ídolos”, e as “Operações Triunfo”? Porque é que só o João Pedro Pais, a Sara Tavares e poucos mais realmente venceram na música? É porque se calhar não os preparam bem para tudo o que vem a seguir.

É o efeito “Big Brother”…

Diogo Dias – Exacto, é um bocado um voyeurismo que depois se esquece: já está usado, deita fora…

Filipe Contente – Nos anos 70, 80, 90, havia bandas. E depois perdeu-se a moda das bandas. Agora começa a aparecer de novo. Seria preciso mudar um bocadinho o mercado. O problema é que as pessoas que controlam o mercado são aquelas que eu acho que menos conhecem o mercado e aquilo que o mercado precisa a sério.

Vocês foram para os EUA à procura de quê? Experiência pura? Melhores estúdios? Melhores meios de captação?

Filipe Contente – Fomos um bocadinho à procura de tudo. Isto foi assim: o Francisco é técnico de som, e um dia só para brincar enviou o nosso primeiro disco para uma data de mestres da produção. Ninguém respondeu com excepção da Sylvia Massy, que disse, antes do Verão, que gostou muito, mas nós olhamos para a resposta, dissemos “que giro, gostou muito”, mas no fundo desprezamos aquilo. No fim do Verão ela insistiu e disse para nós irmos, e nós aí respondemos que não tínhamos dinheiro para isso. Ela acabou por fazer um desconto enorme, nós fomos propor à editora, a editora despediu-nos, dizendo que não acreditava no disco. Isto sucedeu 2 meses antes de irmos para os Estados Unidos e pensámos inclusivamente em desisitir. Mas depois dissemos: “Não, isto ninguém nos tira!” e fomos à procura de dinheiro. Lá o conseguimos, emprestado por um amigo ali, através de um patrocínio acolá, cada um de nós meteu também algum, e fomos. E a verdade é que ela gostava mesmo daquilo e a experiência correu bem porque nós sentimos que estávamos a ter a primeira experiência com um produtor que gostava mesmo do que estava a fazer. Nós cá trabalhámos com outros produtores, como o Mário Barreiros, que não se sentiu entusiasmado com a nossa música, o que nós percebemos perfeitamente e respeitamos. Mas ela gostou mesmo e ela tem dois Grammys, e ela lançou aquela gente toda, portanto pensámos “temos que ir”. Acabou por correr tudo bem e por ser toda uma sucessão de coisas certas no momento certo.

E o que é que perspectivam para logo à noite e para o futuro próximo?

Diogo Dias – Nós achamos sempre que é especial tocar no Porto, sentimos que no Porto as pessoas gostam realmente de música, e logo aí sabemos que vamos ter um público não mais nem menos exigente, mas diferente.

Marco Reis – A última vez que tocámos cá foi na Queima das Fitas, quando abrimos o espectáculo dos Xutos, e esse foi o grande concerto que demos até hoje. Esperamos que a noite de hoje seja mais uma noite de loucura.

Diogo Dias – Em relação ao nosso som: nós tivemos uma experiência inacreditável nos Estado Unidos e deixando falsas modéstias de lado, acho que temos um álbum excelente. No primeiro álbum nós acreditávamos nas 11 músicas e na nossa opinião qualquer uma delas poderia ser um single – e tanto assim foi que conseguimos ter 4 singles dessas 11 na rádio – mas esse álbum foi gravado de uma forma crua com muitos problemas durante a gravação. Desta vez houve uma grande harmonia durante a gravação, evoluímos como músicos e como pessoas, e acho que temos um álbum muito mais coeso. Quem gostou do primeiro tenho quase a certeza absoluta de que vai gostar mais deste. Quem não gostou do primeiro, pode aqui descobrir uns novos KLEPHT. As pessoas têm de se deixar de complexos na música. Na música de hoje vive-se um pseudo-intelectualismo no qual se ouve pouco e se fala muito, e acabam por se criticar bandas sem sequer as ouvir. Há um caso conhecido de uma crítica que surgiu há muitos anos atrás no Blitz a arrasar um determinado artista num concerto, quando esse concerto tinha sido cancelado. Hoje em Portugal, um nome permite-nos ficar catalogados e acho que as pessoas têm que abrir um pouco a sua mentalidade. É possível ouvir um disco do Tony Carreira e tirar dali coisas boas. Ou então ir buscar a banda mais alternativa que existe à face da Terra, e na generalidade não suportares aquilo, mas lá no meio existe uma coisa interessante. Esse foi um exercício que nós fizemos para este álbum: andámos a ouvir tudo o que eram bandas, mesmo as que nós não gostávamos, porque em todas as bandas há fases boas e em todas as bandas há coisas que tu vais gostar. E é assim que tu vais enriquecendo na música.

Filipe Contente – Uma coisa que eu não achava antes mas que acho hoje é que um músico tem de conhecer a música desde o início, ou quase. Não há música boa nem música má; há música diferente. Quem gosta de rock, não pode não conhecer Beatles; se não não sabe o que é que o rock está cá a fazer... Nós fizemos isso e fomos buscar as nossas referências, umas que gostamos mais, outras que gostamos menos. E isso enriquece-nos sem nos apercebermos, acho eu.

Diogo Dias – Tentem conhecer o novo álbum. É isso que nós pedimos às pessoas.
E nós também.


ENTREVISTA DE : RUI VAZ E SARA SALGADO



A CRITICA AO CD "HIPOCONDRIA", AQUI POR RICARDO COSTA


DAVID FONSECA


DAVID FONSECA
O CONCERTO DE VILA DO CONDE

REPORTAGEM E ENTREVISTA
VILA DO CONDE
27 FEVEREIRO 2010


Poucos nomes garantem qualidade a cada álbum e cada concerto.

David Fonseca é um dos poucos, e nesta altura já tem uma carreira que dispensa apresentações. Podemos mesmo dizer que a nível nacional e desde há algum tempo, está no topo e por várias razões.

É um músico completo, e compõem temas que nos levam a lugares onde não faz mal sofrer por amor ou por algo sem nome seque,r mas que não magoa menos por isso.

Por outro lado, os temas mais pop e “up beat” são igualmente válidos e intensos, existindo quase como uma cura ou continuação do que nos aflige mas visto de uma forma colorida e onde nos é dada a conhecer a luz para lá das lágrimas.



Entrou confiante com o tema WALK AWAY, que é riquíssimo em pormenores instrumentais, desde os arranjos simples mas muito presentes, a um ritmo que mexe com o mais desatento espectador.

Já se sentia aquele conforto, como se sente em conversa com um amigo de longa data e sabemos, temos a certeza que nos podemos entregar sem embaraços.

E aqui surge U MAKE ME BELIEVE, a mais dura canção de amor do seu reportório na minha opinião, e não fica a dever nada a outros hinos internacionais do género. Sente-se uma mistura de Nick Cave com Jeff Buckley, soft mas presente.

O David apostou claramente num formato “leve” para estes concertos de promoção do ultimo álbum “Between Waves”, mas não se pense que se fica por aí… somos trespassados por todos os sentimentos possíveis e imaginários.

É altura de dar uso á já famosa cabine telefónica, onde surpreendeu todos com o inicio do tema “Everybody's got to learn sometime” dos Korgis, de onde partiu para CRY 4 LOVE, com toda naturalidade, mostrando o seu á vontade em vaguear por outros mundos, numa prova, para quem ainda precisa, de que a sua paixão pela música é bastante maior do que a procura de qualquer aceitação ou classificação. Um dos momentos altos da noite, com a audiência rendida e apenas ao fim de 4 temas...

Foi a vez do animado KISS ME KISS ME KISS ME , a contagiante MORNING TIDE e de U KNOW WHO I AM, um dos temas mais pessoais e intensos do ultimo álbum. Este tema é uma viagem por entre beleza e tristeza e a importância de manter ambas as sensações, que se validam mutuamente. A ouvir com atenção…

Entre os temas, deparamo-nos com uma personagem alegre, preocupado “com a queda estranha de arvores durante a viagem até Vila do Conde”, um humor leve, reafirmando o carisma natural de uma pessoa real, sem preocupações “mito” e afins.

Para prazer de muitos, lá veio o GELADO DE VERÃO, tema do projecto Humanos, que para além de contrariar a chuva e vento que nos esperavam fora do CineTeatro, nos deu o conforto de ouvir um tema tão português quanto se arranja hoje em dia, do sempre estimado António Variações.

STOP 4 A MINUTE e já todos de braços no ar, rendidos. Este tema teve uma introdução hilariante: The roof is on fire dos Bloodhound Gang.

Pouco depois era o auge (por entre outros) com o tema SUPERSTARS, equilibrado com o IT’S JUST A DREAM que o seguiu de forma magistral.

Tempo para o encore de praxe, e onde David Fonseca fechou a noite em grande, com WHO ARE U, JUST CAN’T ENOUGH dos Depeche Mode, e por fim, THE 80’S com direito a iluminação a condizer.

Foi “apenas” mais um espectáculo. Sim, apenas. Porque a qualidade e sinceridade são tão fortes que não se espera nada menos que a excelência.


Este musico não é uma produção imaginada e cuidada por outrem. E não posso deixar de sorrir quando essa dúvida surge.

É um musico consciente de si próprio, do meio em que se movimenta e age conforme.

Toma como sua, a atitude de não mostrar embaraço por viver do que faz e de manter uma ligação próxima com o seu publico nas várias redes sociais da internet e no seu site. E isso não é um plano para conquistar o mundo, é apenas… assim.


No final do concerto, a IMAGEM DO SOM esteve à conversa com DAVID FONSECA, numa ENTREVISTA EXCLUSIVA

PARTE I


PARTE II



REPORTAGEM :
FOTOGRAFIA E VIDEO : JOSÉ LOPES
FOTOGRAFIA, TEXTO E ENTREVISTA : RICARDO COSTA


AGRADECIMENTOS:
VACHIER & ASSOCIADOS
TEATRO MUNICIPAL DE VILA DO CONDE

ENTREVISTA COM JOÃO CORAÇÃO

À CONVERSA COM
                                     JOÃO CORAÇÃO

Entrevista realizada no dia 06-03-2010,
em Vila Nova de Famalicão,
Casa das Artes e concluída por mail dia 11-03-2010.



A tua forma de criar música surgiu como um acto de dar á luz… fala-me disso.

Nada sei sobre ser pai, ainda, muito menos sobre dar à luz, mas em tempos fiz essa analogia, que nem é originalmente minha. Muitos artistas usaram já essa ideia para exprimir a criação. Quando digo “dar à luz” quero dizer que a canção cresce dentro de mim sem que eu lhe veja a cara [sem usar a ecografía] e depois um dia, não quando escolho, tenho de parir a música. Ela sai a mais ou menos custo, mas quase sempre de uma vez.

Qual a tua religião e qual a tua ligação com a mesma?

Sou um ser religioso e sou católico. Nem sempre fui.
Nasci católico, fui baptizado e depois, bem cedo decidi que não era religioso e afastei-me da cruz. Mantive-me assim até a maioridade, quando ganhei juízo e um pouco de humildade. Uma relação séria está-se sempre a redefinir, não há outra forma e é nessa viagem que me encontro, por isso nenhuma resposta hermética seria justa, porque podia acontecer, que quando eu acabasse de escrever, a minha verdade tornar-se numa mentira, por me ter apercebido de algo novo enquanto pensava. Ou talvez devesse fazer isso e depois apagar para escrever por cima, como os grandes pintores quase todos, pintam por cima vezes sem conta.

Que papel tem actualmente a religião na FlorCaveira?

A pessoa indicada para responder a essa questão é alguém do órgão, mas adianto sem medo que a FC não é um órgão religioso, é mesmo uma editora, sendo que o seu corpo directivo é protestante Baptista.

A descrição como foi gravado o teu 1º álbum é no mínimo caótica… o que não se liga muito com a imagem que passa hoje… queres elaborar?

Bem, as descrições que eu li do processo de gravação são bastante fiéis. Eu tinha 40 ou 50 canções e convidei o Jorge, o Tiago e o Samuel para um jantar onde lhes fiz a proposta. Inicialmente além da interpretação pedi ao Tiago também para produzir, mas assim que começamos ele entendeu que eu era teimoso de mais e que afinal tinha já uma ideia acerca do processo. Resumindo, quis honrar a espontaneidade de cada um e dei-lhes o mínimo de pistas possíveis. Não sabiam ao que iam e mesmo assim avançaram sem me perguntar muito.
Eu transportei sozinho um estúdio inteiro para aquela casa, e espalhei instrumentos pela sala. Eles ao chegar sentaram-se pela sala ouviam o que eu tocava e iam pegando no que lhes apetecia. Quando parecia que já conheciam a música eu carregava no "record", quando parecia que já a estavam a tocar satisfatoriamente eu já tinha parado de gravar. Assim como os 3 vieram outros 10 e fizemos o disco, ali, sem medo. A seguir a uma música decidia-se a próxima.



O teu 1º álbum, que relação tens com ele hoje?

Devia ouvi-lo mais, porque acho um belo disco, cheio de coisas bonitas.

Como é o teu processo criativo?

Ora isso é tão relativo como são distintas as minhas composições. Já fiz canções em dois minutos e já fiz canções em dois dias. Nunca comecei pela letra, acho. O normal será letra e canção virem juntas. Por vezes vem a canção com parte da letra e depois, com calma, o resto da letra e também o resto da canção. O primeiro disco é mais das paridas e o segundo disco é mais das esculpidas.



Influencias musicais e não só, que sintas que fazem parte do que crias hoje musicalmente.

Sendo muito atento, é natural que a percepção das coisas me molde e igualmente natural que o meu mundo perceptivo se manifeste quando crio. Oiço música muito variada desde miúdo. Os meus pais levaram-me pela primeira vez a um concerto tinha eu 5 anos e ele era o Wim Mertens, lá em casa ouvia-se erudita, MPB, Léo Ferré, Dylan, Beatles e Fausto.
Passado um ano ouvia já The Cure, Whaterboys e The Smiths e passados outros 4 já ouvia Tom Waits. Tudo graças aos senhores meus pais, à minha irmã e ao meu tio Pedro. Aos 14 tive a minha incursão no grunje e no metal. Mais uma vez, ganhei juízo na maioridade e hoje oiço de novo os discos dos meus pais à excepção de alguma música portuguesa e um ou outro estrangeiro.



A importância da literatura na tua musica, qual literatura e como influencia, etc.

Eu não leio muito. Sei que isto parece mal ou uma resposta fabricada, mas é a verdade. Posso dizer o mesmo há já um ano, o último livro que li foi a Ilíada e sinto-me cheio até então. Depois li o livro do Tolentino, que não conta como livro. É uma jangada lançada ao rio, na qual entrei.



Qual a tua relação actual com o cinema? Sempre vais para a frente com a longa-metragem?

Certamente. Quando não sei. Tenho de mergulhar de novo no cinema. Aí vai ser bom.



Vamos recuar e falar da tua infância… fala-me sobre como foi e o que sentes em relação a esses tempo… como achas que te marcou essa fase?

Sou um tipo com sorte. Dizia no outro dia numa conversa "a vida poupou-te" ao que me responderam: "e a ti?, não te poupou?". A minha infância é uma arca de tesouros. O próprio Rilke, acerca de inspiração, ou da falta dela, nas cartas a Kappus diz algo parecido com - mesmo que estivesse aprisionado, entre paredes brancas, longe do som do mundo, haveria sempre o tesouro da infância, a riqueza da memória. (as palavras não são estas, mas a ideia) -
...e é verdade, podia passar o resto da vida a escrever sobre a minha infância, mas ainda não cresci tanto e nunca fui preso. Sobre a minha infância é ouvir os Doze Anos do Chico Buarque. Está lá tudo.

Fala lá do teu percurso escolar, parece ser pouco monótono…

É verdade. Mas não fui em que inventei a falta de monotonia. Como sabes vivi a minha infância em Lisboa, no Restelo e fui depois para Aveiro: passei por 4 escolas até chegar ao Liceu. O Liceu foi belo e as escolas superiores 3. Estudei Arquitectura, Som e Imagem e Cinema. O último curso foi o único acabei. Como escrevi já em outra circunstância "é que eu não estou bem a fazer nada, eu só estou bem a fazer tudo".



Como chegaste então a isto de gravar álbuns e afins?

Tinha acabado cinema e comecei, sem querer, a fazer canções. Quando tinha as primeiras 40 achei que dava um belo longo disco triplo, e foi com essa ideia que chamei os 3. Era para em 5 dias gravar pelo menos 30. Achei que ia dar.



A música, sentes que é algo que te imaginas a fazer de alguma forma durante muito tempo, é algo que sentes necessário neste momento, como ser criador, fala-me disso.

Neste momento não sinto necessário. Mas é intermitente, por isso espero que volte em breve. Gosto quando sou agraciado pela fertilidade. Na verdade o ímpeto é constante, a sensação de que me deitei sem criar dá-me um sono mais leve, mas os momentos de materialização são intervalados. Talvez os espaçamentos agora sejam maiores por não ter assim tanto tempo para fazer "só o que me apetece". No entanto não me posso nem devo queixar.



O que sentes no palco? E o que queres fazer passar?

Como formulei no outro dia, há um mediador entre mim e as pessoas que me assistem. Uma forma que parece veículo e agente ao mesmo tempo. É a música e não é veículo nem agente. A música não é do terreno e não chega a ser o céu. Se há um limbo, o limbo é a música.
Eu tento chegar à música e quando chego, ela por si chega às pessoas ou ao céu e faz tudo sozinha. Só me preocupo em chegar a ela e há dias em que quase não lhe toco.



Qual a tua relação com a critica, positiva ou negativa?

Isso é uma pergunta interessante e politicamente incorrecta. Cito de novo o Rilke; será político da minha parte fazer uso de uma citação? Não me considero um ser político, mesmo assim aqui vai:
(agora com palavras exactas, fui buscar o livro) - "Nada está mais longe de tocar numa obra de arte do que palavras críticas: delas resultam apenas mal-entendidos mais ou menos felizes."

Isto foi escrito no final do século XIX ou já no início do XX, mas podia ter sido hoje ou há uns bons anos atrás.

A crítica prende-se com aspectos meramente formais e é quase sempre pensada: ou com o "rabo entre as pernas" por uma ou outra razão; ou para provocar determinada reacção aos seus leitores; ou para provocar simpatia entre os seus compinchas; ou para medir poder. É raro o crítico que assenta num movimento de aproximação. Falo da crítica da arte em geral, da crítica além-música, que é das formas de poder mais próxima da política que eu conheço.
A minha relação com a mesma é consequente do que acabo de dizer. Na verdade gosto de ler quando me fazem grandes elogios, mesmo me parecendo, quase sempre, que não falam sobre o que interessa. Igualmente não me é querido, nem tem sobre mim efeito inspirador, ler palavras feias acerca das minhas prestações. Não é agradável pelas razões claras, não é inspirador porque ainda estou para ler alguma verdade. Mas lido com ambas as experiências "boas e más" críticas com alguma descontracção.

Creio que devíamos ter a coragem de admitir que na arte quase nada é catalogável, compreensível, mas inefável.
Como dizia o poeta José Tolentino Mendonça em Grafito:
O poema pode conter:
coisas certas, coisas incorrectas, venenos para
manter fora do alcance
excursões campestres, falhas de memória
uma bicicleta caída junto às primeiras paixões
sombrias
Pode conter Le martin, Le midi, Le soir
audácias típicas de um visionário
uma guerra civil
um disco dos Smiths
correntes marítimas em vez de correntes literárias



O lado da fama, seja a que escala for, o que sentes acerca desse estatuto?

Não é um estatuto, é um idioma.



Projectos imediatos e a longo prazo

(...)

Um 3º álbum? Em que contornos? Já pensas nisso? Revela lá.

Não pensei nisso.



O que procuras sentir durante o processo criativo?

Verdade, satisfação e depois verdade.

Que músicos e linhas musicais actuais te agradam neste momento?

Da música da actualidade, além dos portugueses que posso citar: Norberto, (Tiago) Guillul, Camané, B-Fachada, (Diabo na) Cruz, (Samuel) Úria, (Manuel) Fúria, Cão (da Morte) e Coelho (Radioactivo), etc., há alguns projectos que me aliciam, apesar de não estar tão bem informado, gosto de Fleet Foxes, gostei bastante do último dos Arctic Monkeys, não gostava antes, também ouvi muito o disco dos Arcade Fire. Depois, como é claro, o Dylan e o Waits, mas esses não são actuais, são futuristas.



Qual é a tua impressão geral, depois de andares nisto há uns 3 anos?

Em relação a quê? Ao meu processo criativo? Ainda estou a começar. Ainda estou à procura de uma linguagem.3 anos para mim foram muito pouco.



Amante de vinhos certo? Fala-me disso…

Pouco a dizer. Bebo menos hoje do que há dois anos. Há dois anos bebia um ou dois copos à refeição. É uma bela artesiana o ofício do vinho.



Tens hobbies? Quais?

Não tenho. Tudo o que faço é com intenções mais largas do que ocupar o tempo.







Uma forma de estar, um homem, um músico, um criador… um nome a ter em conta no panorama musical (e criativo) do nosso país: João Coração.

ENTREVISTA DE RICARDO COSTA
Samuel Úria
CCVF

Guimarães
2 de Abril 2010




Samuel Úria tem vindo a conseguir fazer crescer o seu público, com a sua atitude descontraída e com a sua música que é tão ligeira como profunda.

Esta noite apresentou-se apenas com mais dois músicos, no baixo Lipas e Guel nas teclas.

Começou por apresentar o que se ia passar ou seja, usar a malta como cobaia para testar algumas mudanças no alinhamento das músicas e outras experiências mais ou menos perigosas para o prazer de quem ali se deslocou.

Com a sala bastante composta, e onde era notória a forma como este músico tem já assegurado um publico devoto.

Entre experiencias com batidas que saiam de um tipo de teclado “caixa de ritmos” e outras menos surpreendentes mas muito bem conseguidas, garantiram um fim de noite descontraído e onde os sorrisos e brilho nos olhares davam prova de um saldo bastante positivo a mais uma performance única deste músico que segue o seu próprio caminho, á sua maneira.




ENTREVISTA



O teu papel na FlorCaveira é importante. Fizeste parte do seu nascimento, como é que se passou?
Eu não estou na génese, até porque a coisa nasce um bocado da cabeça do Tiago (Guilul) e ainda hoje mesmo que ele não estivesse a gravar discos continuaria a ser o líder, quase um presidente com o poder de veto em relação às coisas que se passam.
Eu estou na FlorCaveira enquanto crescimento e desenvolvimento a tornar-se uma editora. O Tiago fala comigo logo em ’99, não havia ainda uma ideia definida, havia um manifesto... Em 2000 acho eu, aparece o site, sem musica, tinha critica musical, tinha contos, banda desenhada, pessoal a escrever para lá e a musica foi surgindo aos poucos, apesar de os discos que iam saindo faziam já referencia á FlorCaveira.
Estou nesse processo todo até se tornar numa editora, sim. Digamos que faço parte do núcleo das 5 pessoas que tem o poder decisório…

A ideia que existe é que havia ali algo que vos unia, que era a religião Baptista. Isso ainda se passa hoje, que papel é que teve no inicio?

A FlorCaveira nasce com essas tais 5 pessoas que tem em comum esse tal factor da religião que professamos e por ser uma religião “desviante” por assim, tendo em conta que estamos num país predominantemente católico, e acaba por ter a sua importância. Eu não sei se a coisa se fica pela religião, ou já em consequência dela, nós sermos todos amigos e termos alguns gostos em comum, tal como posições morais, éticas e filosofias, etc., mas é indesmentível que a religião faz com que haja essas afinidades tão grandes.
Mas a verdade é que actualmente temos pessoas que não professam a mesma religião mas que achamos interessantes e que tem lugar na FlorCaveira.
Acho que existe um núcleo de amizade que fazem com que as pessoas estejam quase devotas a esse ideal da FlorCaveira, que não é uma coisa muito definida enquanto ideal, não é uma coisa estanque enquanto conceito mas que nós despercebidamente sabemos o que é preciso para fazer farte da FlorCaveira.

Uma definição rápida do que é hoje o espírito FlorCaveira?
A FlorCaveira sempre congregou gente que para além do gosto musical, acreditava na democratização da música e que não são precisos grandes meios nem para fazer nem para se apreciar musica. Obviamente sempre fomos condicionados pela falta de meios e gravar discos de forma rasteira mas havia muita musica que nós consumíamos de gente que gravava com as mesmas condições, até músicos consagrados que volta e meia faziam discos de low-fi e de forma descomprometida em termos de arranjos, editoriais etc., e a ideia de puder fazer discos, de puder concretizar o teu gosto musical em objectos, sempre senti esse conforto na FlorCaveira, essa identidade das coisas não serem complicadas na maneira como abordas a musica e com que concretizas a musica, isto é, não só chamar os amigos e mostrares mas puderes tornar isso em bens consumíveis de uma coisa que fazes com o coração.

Qual é a tua relação com a musica e depois com a criação dela?
Eu sou um consumidor de música algo desregrado, por exemplo em relação ao Tiago Guilul não sou um melómano no sentido de andar á procura de coisas novas e estar sempre a par, mas gosto muito de música, e é claro que hoje em dia ninguém conseguiria viver sem música, e eu faço parte da corrente maioritária das pessoas que gostam de música porque é impossível não gostar de música.

Enquanto fazedor de música, não te sei explicar, as coisas surgem com alguma naturalidade e então não posso propriamente traçar nem trajecto nem concepções. Não posso acercar-me de condições que me levaram a criar música.

É verdade que aí a religião ajuda muito na medida que somos desde miúdos instados a termos a nossa própria expressão musical. Nas nossas próprias comunidades há muito aquele apoio a quem aprende um instrumento… algumas das comunidades acabam até por ensinar as pessoas a tocarem, ou então há o que acontecia na minha comunidade que não havia ninguém a ensinar mas quando sabias tocar guitarra eras logo chamado para tocar para as pessoas, etc. Então eu nasço com condições muito favoráveis, a minha estudou música e foi professora durante alguns anos.

Por outro lado o meu gosto por escrever e até alguma facilidade preguiçosa… eu falo disso no disco, das coisas serem fáceis e por isso eu as fazer, mas se por outro lado não tivessem um mínimo de reconhecimento também não me metia por aí.

Mas nesse jogo de eu puder fazer uma coisa que não me custa e ao mesmo tempo estar a ser reconhecido é aquela coisa de “win-win situation” [risos]

Como surgiu o “Nem Lhe Tocava”? Partiu de um conceito ou foi aparecendo?

Não há propriamente um conceito, apesar que depois ao olhar para o disco encontrar coisas que mesmo não tendo forçosamente que revelar, mas consigo ver que existe algo nem que seja temático á volta de todas as faixas, mas nasce até mais da minha necessidade de fazer um disco extenso, depois de ter um longa duração antigo que pouca gente conhece, pode ser a coisa mais rafeira do mundo, mas agora tornou-se um objecto de culto porque esgotou.

Tinha feito um disco com a minha banda de punk-rock Velhas Glorias, umas coisas feitas para a Antena 3 e colaborações em compilações FlorCaveira, e eu achei que era altura de fazer um longa duração.

O disco era para ser um vintage na linha FlorCaveira, gravado em casa, um bocado desconexo em termos sonoros, gravado aqui e ali, não ter uma espinha dorsal que depois acabou por se concretizar numa banda na maior parte dos temas. Entretanto a Valentim de Carvalho mostrou curiosidade sobre as coisas que a FlorCaveira estava a fazer e houve uma proposta de uma parceria em alguns discos e este acaba por ser o primeiro que nasce dessa parceria, editado metade pela FlorCaveira e outra metade pela Arthouse que faz parte da Valentim de Carvalho, e então isso ajudou que o disco se atrasasse… estar á espera que o estúdio ficasse livre, e a própria existência de um estúdio obrigou-me a repensar o disco, de eu querer fazer um disco mais ligeiro, com uma banda fixa a tocar em quase todos os temas, uma coisa mais aberta em termos sonoros… e por ser mais aberto em termos sonoros deu-me a liberdade de fazer um álbum mais fechado em termos conceptuais, e isso passa um bocado despercebido mas eu quis fazer isso sim.

Fala-nos do teu processo criativo.

Eu tenho muita dificuldade em pensar como as coisas me surgem.

De repente cria-se um vazio na minha cabeça do processo criativo… é um processo de eliminação, ter sempre coisas a passar-me na cabeça e quando finalmente consigo eliminar muitas delas e apanhar algumas que me interessam é que as transformo em música e isso pode acontecer em qualquer altura.

De vez em quando tenho musicas que faço por encomenda… vou tocar a um lado ou para determinado fim seja para uma cerimónia ou como neste disco que tem duas musicas que fiz para um teatro aqui em Guimarães, mas é sempre uma coisa que sai com bastante naturalidade e não é um processo muito intelectual.

Obviamente que tenho dificuldade em acreditar naquela coisa transcendental da inspiração etc., mas acredito há processos que eu tenho que me facilitam e as coisas surjam com naturalidade, e às sem dar por mim já tenho uma letra escrita e depois já está musicada, ou surge uma musica com a parte lírica já construída mas não consigo precisar como as coisas acontecem.

Quase como se entrasse num transe e quando saio as coisas já estão feitas.

Em relação às tuas influências musicais, literárias ou outras…
Eu como á partida não excluo quase nenhum estilo musical e como ouço, compro e consumo coisas de muitos género, também tenho dificuldade em cristalizar as minhas influências principais.

Tenho influências maiores, e isso é também um bocado comum aos antigos da FlorCaveira. Temos uma reverência pelo Dylan, Cohen, Waits e em Portugal todos nós fomos influenciados pelo António Variações, pelos Herois do Mar… mas acho que a minha influência maior, até porque é a minha primeira paixão consciente musical são os blues, por causa da simplicidade e não serem propriamente um estilo mas uma formula… são três acordes que se repetem e a grande parte dos músicos que admiro a usarem.

Depois não estou nada preocupado em criar algo de novo nem sequer reinventar, é uma questão de utilizar essa fórmula em meu proveito.

A música, sentes que é algo que te imaginas a fazer de alguma forma durante muito tempo, é algo que sentes necessário neste momento, como ser criador e porque te dá prazer?
Se me perguntares o que eu preferia, claro que eu preferia que a musica de repente se tornasse a minha vida.

Eu estive quase 10 anos a fazer música por gosto, a meter dinheiro para puder pagar os discos e a pagar para ir dar concertos aqui e ali. Agora tenho o lado bom, que acho quase pode ser justiça poética depois desse tempo todo a apostar num gosto, ter gente a apostar, ter gente a querer assumir as partes chatas como fazer dinheiro com isto.

Eu não faço planos em relação á música, mas tenho obviamente de assumir responsabilidades de gente que está a fazer planos comigo e então está-se a tornar algo por lado apetecível mas por outro lado uma coisa que eu tenho de começar a encarar com seriedade que felizmente até agora não me está a afectar em termos de produção musical, mas que tenho de assumir sem que me prejudique no aspecto criativo.

Felizmente consigo ver que pelo menos num futuro próximo vou conseguindo assumir a música quase como uma profissão e isso dá-me me muito gosto.

A tua música parece ligeira e até lúdica, mas ao mesmo tempo é profunda, eu diria que olha mesmo para o abismo, é comovente. Que tens a dizer?
É assim… até por questões de gostos e urgências musicais é obvio que no futuro vou querer fazer coisas mais fechadas, mais difíceis de consumir.

Este disco não é completamente aberto, mas é-o mais do que fiz até aqui, e muitas vezes o meu esforço com ele foi tentar explorar coisas mais pesadas mas caramelizadas de alguma maneira.

Só o facto de ter uma banda com gente a tocar muito bem comigo, como estes miúdos dos Pontos Negros que são músicos talentosos, tenho o Miguel que é a espinha dorsal de qualquer coisa que ele se meta, ajuda-me a ter objectos “descomplicados”, da coisa puder viver só pela sua musicalidade e as pessoas não estarem tão concentradas em coisas mais pesadas que eu queira exprimir através da musica.

Por isso eu às vezes lhe chamo de música ligeira, que ainda tem alguma conotação depreciativa em Portugal, e eu gosto de assumir esse aspecto, da música puder ser algo alegre, cantarolável mesmo quando intrinsecamente não é alegre e cantarolável.

Eu quis contrariar, (e isso chateou alguma gente que já me conhecia e apostava em mim), contrariar aquela ideia de que o disco tinha de ser estudado e não um disco que pudesse ser ouvido. Eu quis que fosse o inverso… que a reflexão viesse mais tarde.


O que sentes no palco? E o que queres fazer passar?
O palco é um sítio confortável, isto também é comum na FlorCaveira. É um sítio onde podemos ser aquilo que gostaríamos de ser, e ser aquilo que somos mas que não podemos assumir na vida real por assim dizer.

Eu se calhar ainda vou ter de amadurecer um bocado e sentir o palco com mais responsabilidade, mas eu vejo-o como um sítio onde posso comunicar com as pessoas, posso dar às pessoas algo que não posso em outras áreas da minha vida, é um sítio bom de se estar.

Apesar de agora andar sempre a viajar, tocar em vários sítios, por outro lado é uma coisa muito divertida e ficamos às vezes mais contentes com o sucesso que as pessoas nos reconhecem do que aquilo que nós sentimos que demos ás pessoas. O simples facto de sabermos que fizemos as pessoas passarem um bom bocado é por vezes superior á qualidade musical e ao que queremos atingir com a nossa musica.

Um próximo álbum, já pensas nisso?
Não tenho planos, pelo menos para fazer um LP não tenho planos agora.

E projectos?
Tenho um disco que gravei no ano passado no dia 10 de Junho. Escrevi as letras, musicas e gravei tudo no mesmo dia, e isso irá sair entretanto.

Aí volta ás raízes da Flor Caveira, a coisa de low-fi, uma coisa não tão fácil de ouvir… e provavelmente sairá também em Junho.



Um bom concerto hoje e venha de lá o disco!


FOTOGRAFIAS : IAC
TEXTO E ENTREVISTA : RICARDO COSTA

AGRADECIMENTOS
CCVF , GUIMARÃES


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ENTREVISTA COM MARTIN LEVAC

ENTREVISTA COM MARTIN LEVAC

EXCLUSIVO IMAGEM DO SOM


Conhecido internacionalmente como o melhor tributo a Phill Collins, canadiano, baterista e cantor, ele chama-se Martin Levac e escolheu Portugal para o inicio da sua Tournée Europeia em 2010.

Assim a 11 de Fevereiro no Coliseu de Lisboa e a 12 no Coliseu do Porto , o publico português vai ter a oportunidade de assistir em primeira mão ao show “Dance Into the Light: The Ultimate Phill Collins Show”, um tributo ao grande músico e cantor de Rock e Pop progressivo – Phill Collins.

A IMAGEM DO SOM conversou com MARTIN LEVAC.




IMAGEM DO SOM: Primeiro, The Musical Box, depois Dance on a Volcano e, finalmente, Dance Into The Light. Esta é uma sequência que recria temporalmente o percurso musical de Phil Collins. É só uma coincidência, ou é esse o teu objectivo?


MARTIN LEVAC: Diria que é definitivamente algo mais do que uma mera coincidência; deve-se também ao facto de eu ser o maior fã do Phil Collins. É um enorme prazer retratar toda a carreira do Phil; e, ainda tenho o projecto Brand-X Tribute, para 2011.
Eu tinha 15 anos em 1986 e o Invisble Touch foi o meu primeiro álbum dos Genesis e nos meses seguintes comprei a discografia toda da banda! Tanto quanto me consigo recordar, desde os meus 12, 13 anos, que sempre quis cantar e tocar como o Phil Collins. A minha primeira banda chamava-se CHESTER -PHIL

IMAGEM DO SOM: O que nos reserva o espectáculo Dance In To The Light?

MARTIN LEVAC: Temos muito por onde escolher, do vasto repertório do Phil Collins, e os espectáculos do Dance In To The Light, certamente variarão de tour para tour.

Por enquanto a set list é um desfilar dos maiores êxitos, com alguns temas específicos, de que gosto particularmente, à mistura. Uma coisa poderei garantir: apenas interpretaremos material da carreira a solo do Phil Collins e vamos fazê-lo o mais parecido possível com as versões originais.

IMAGEM DO SOM: Dos três projectos, qual aquele que mais te agrada?

MARTIN LEVAC: Diria que o Dance Into The Light.


IMAGEM DO SOM:  Porquê?


MARTIN LEVAC: Porque o show é realmente bom, carregado de energias positivas.. A set list é minha, assim estou mais empenhado na fase criativa, do que no Dance On a Volcano, ou no The Musical Box.

E, além do mais, pomos as pessoas a dançar e a cantar. Toda a gente, dos 7 aos 97 anos, adora as canções Phil Collins.

Este ano de 2010, comemora-se o 25.º aniversário do álbum No Jacket Required, o que me traz excelentes recordações; posso dizer que o mesmo se passa com todos aqueles que assistem aos concertos. Isto mostra que a minha geração, que conheceu os hits do Collins dos anos 80, tem uma grande vontade de reviver aquela experiência e sensações.

E depois, há a banda do Dance Into The light, que é fantástica. É, para mim, um privilégio poder interpretar ao vivo as composições do Phil, rodeado de excelentes músicos.

IMAGEM DO SOM: São enormes as diferenças entre os primeiros anos dos Genesis, com um rock progressivo, e os últimos, num estilo mais Pop. Com qual dos dois mais te identificas?


MARTIN LEVAC: Estive, por muito tempo, fortemente ligado aos primeiros anos dos Genesis. Mas depois de ter tocado mais de 300 vezes o Lamb Lies Down, o Selling Sngland by the Pound e o Foxtrot, um pouco da magia desapareceu. Apesar de pensar que a música, dos primeiros tempos dos Genesis é puramente genuína, com o correr do tempo, fui sentindo falta das canções Pop.

Recordo-me bem da lufada de ar fresco que para mim representou, por exemplo I Know What I Like. É o factor “Groove”. Eu acho que sou um baterista “groovy”.

E, além do mais tenho a oportunidade de ser voz principal, ser uma presença na frente palco, em vez de ficar lá atrás a cantar por cima do vocalista principal. Mas diria que sou um apaixonado pela música.Tanto me deixo tocar pela música clássica, como pelo soul, funk e Rhythm and Blues e tudo o mais que pelo meio se move. Quando canto no projecto Genesis-Rewired com o Daryl Stuermer, dá-me igual prazer cantar Squonk e Throwing it all away !


IMAGEM DO SOM: Preferes a bateria ou a voz?


MARTIN LEVAC: Perfiro…as duas!


IMAGEM DO SOM: E, é difícil conciliar as duas em palco?...

MARTIN LEVAC: Comecei a tocar bacteria com 8 anos, e tocava por cima dos Beach Boys , do Elvis e do The Wall dos Pink Floyd. Depois disso descobri tudo o resto.

Aos 15 anos comecei a cantar e a formar bandas. Durante alguns anos estava na bateria e na voz. Lembro-me bem que, por vezes, dadas as dificuldades das partes de percussão, me concentrava mais na bateria, saindo a voz quase que automaticamente; outras vezes era o inverso.

Assim em verdade, sou baterista e cantor, mas em primeiro lugar sou músico, e tenho a sorte de ter mais do que uma forma de me exprimir musicalmente.
E, claro, o Dance Into The Light dá-me essa oportunidade


IMAGEM DO SOM:  O que sentes quando dizem “O Martin Levac canta melhor do que o Phil Collins”?


MARTIN LEVAC: Fico um pouco constrangido, porque para mim o Phil é único.

Esforço-me por tocar e cantar o melhor possível, por vezes, transformando-me e assumindo em palco, o carácter de Phil Collins.

Tenho que reconhecer que quando o Daryl Stuermer ou o Ronnie Caryl elogiam a minha voz, me sinto muto orgulhoso…

IMAGEM DO SOM:  E, cantas mesmo melhor que o Phil Collins?


MARTIN LEVAC: Canto diferente… mas com certeza que não canto melhor.

IMAGEM DO SOM: Os teus projectos de Tributo são considerados dos melhores que existem, tendo um sucesso enorme, tanto no Continente Americano, como na Europa. Isso deve-se ao Phil Collins e aos Genesis ou ao Martin Levac?


MARTIN LEVAC: Definitivamente, deve-se aos Genesis e ao Phil Collins, porque é a música deles que traz público aos meus concertos. Se lhes dessem a escolher, prefeririam assistir as bandas originais.


IMAGEM DO SOM: Além de Dance on a Volcano e Dance Into The Light, integras ainda o Daryl Stuermer Genesis Rewired Project. E a tua carreira como compositor, fica assim posta de lado? Já não gravas um disco desde 2006, com “Influences”…


MARTIN LEVAC: Sim, há a música dos Genesis e do Phil Collins e à a minha própria carreira.

Editei dois discos em francês, lá em “casa”, em Montreal, Quebec, nos anos de 2000 e 2002, e depois, em 2006, Influences, com metade dos temas em inglês.

O que se passa, é que estou de tal modo envolvido nos projectos ao vivo, que dou pouco do meu tempo à composição. Gostaria de equilibrar um pouco mais as coisas, no futuro. Tenho algum material que compus, arquivado no computador, à espera dos arranjos e de uma gravação… talvez faça qualquer coisa depois desta digressão.

Só que 2010 vai ser um ano muito trabalhoso em termos de tournées, tanto com a Dance Into The Light, como com o Genesis Rewiered, e eu vou-me divertindo!

IMAGEM DO SOM: Tem algum significado, o facto da digressão europeia se iniciar em Portugal?


MARTIN LEVAC: Eu até acho que, no inicio, a digressão nem era para começar em Portugal, mas estou muito contente por tal vir a acontecer.

Já toquei em Lisboa e no Porto e foi sempre fantástico; gostaria de me apresentar em mais cidades em Portugal.

IMAGEM DO SOM: Muito obrigado e Uma Grande Tournée Europeia!

MARTIN LEVAC:  Obrigado!