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BERNARDO SASSETTI TRIO & JAQUES LOUSSIER TRIO

BERNARDO SASSETTI TRIO(pt)


JAQUES LOUSSIER TRIO(fr)


14ª EDIÇÃO MATOSINHOS EM JAZZ

DIA TRÊS


Estamos pois na 3ª noite deste evento cada vez mais relevante a todos os níveis, e como prova, este par de trios, que teriam lugar em todo o festival de jazz em qualquer parte do globo.

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Sassetti é uma figura única no panorama nacional e não menos importante além fronteiras. O seu talento tem-lhe valido um trajecto riquíssimo quer em termos de colaborações, trabalhos a solo e os prémios que distinguem a sua obra


Tem-se dedicado especialmente a trabalhos para cinema, destaque para o filme “The Talented Mr. Ripley” de Anthony Minguela.


A lista das suas criações é invejável e assumem um papel vital em obras tais como "Maria do Mar" de Leitão Barros, "Facas e Anjos" de Eduardo Guedes, "Quaresma" de José Álvaro Morais, "O Milagre Segundo Salomé" de Mário Barroso, "A Costa dos Murmúrios" de Margarida Cardoso, "Alice" de Marco Martins (por estrear), o documentário "Noite em Branco" de Olivier Blanc e a curta-metragem "As Terças da Bailarina Gorda" de Jeanne Waltz.

Como solista, participou também no filme "Pax" de Eduardo Guedes e na curta-metragem "Bloodcount" de Bernard McLoughlan(fonte:ONC).















Eu arriscaria dizer que o trabalho de Sassetti é ele mesmo carregado de imagens, cores, sensações… para além de toda a técnica apuradíssima, existe um cuidado, quiçá decorrente do próprio acto de criar, e esse cuidado resulta no surgir de historias que ocupam o espaço por onde a sua musica passa.














E não são historias fantásticas por assim dizer, são momentos banais passados numa rua, um momento que fica e que é musicado pela sua força humana ou sensorial.















Mas aqui temos um Trio, do qual fazem parte Carlos Barreto (contrabaixo) e Alexandre Frazão (bateria), e não um trio qualquer, mas sim um dos mais estáveis do jazz nacional, já com 13/14 anos de trabalho, salvo erro meu.

Todos estes músicos têm vários projectos separados, e não me parece que seja exagero afirmar que são dos mais talentosos deste país.

Sassetti descreve a química entre eles como “uma consciência colectiva do tempo e espaço”, desenvolvida durante os anos, partindo de raiz e não sendo uma adaptação de outras experiencias.

A admiração entre os músicos é notória, a “improvisação telepática” e um talento que de tão natural nos cativa a cada nota, a cada composição, elevam as suas actuações a um nível quase palpável.


O concerto teve inicio com o fenomenal “Homecoming Queen”, original de Sparklehorse, uma banda norte-americana de rock alternativo liderada pelo falecido Mark Linkous, falecido a 6 de Março, ao qual foi dedicada.

Seguiu “Working Class Heroes” de Lennon. Delicada, ora algo arrojada, fez perfeitamente justiça ao espírito original, tendo o seu teor reivindicativo e politico mas com a classe devida.

Os temas sucediam-se e a audiência rendia-se ao charme do Trio, de forma clara e evidente.

Momentos altos foram vários. Pessoalmente favoreço o tema “O Homem Que Diz Adeus”, que visa homenagear uma “figura de rua”, que como tantas outras, nos é familiar, e aqui é da beleza desses seres que se trata.

Depois de sete anos sem gravar, o Trio tras "MOTION", uma delicia para os nossos ouvidos.


Músicos exímios, com um Sassetti não menos do que fantástico, num concerto nada menos que memorável.

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Segue-se Jacques Loussier, que festeja 50 anos de uma carreira, e tal como Sassetti disse, em forma de introdução, a forma como ele trabalhou Bach em jazz dividiu opiniões desde o primeiro “Play Bach Trio” em finais dos anos 50, que vendeu milhões e os colocou na estrada durante mais de 10 anos.



O mundo de ambos os géneros musicais ainda hoje não chegou a um consenso, mas isso nada importa, muito menos para este músico já lendário por assim dizer.


Loussier pouca relevância deu durante a sua longa carreira ao que de fronteiras diz respeito. A sua paixão é pela musica, pura e simplesmente.


Trabalhou com Pink Floyd (The Wall), Elton John e Sting, o que prova isso mesmo.


No 300º aniversário do nascimento de Bach, em 1985, Loussier sentiu-se impelido a reformar o Play Bach Trio com novos membros, juntando rock e até mesmo elementos electrónicos á mistura base clássica-jazz, já por si polémica.

Continuou com manifestações da sua paixão por Bach, mas entretanto e desde os anos 90, juntou Ravel e Debussy tendo realizado registos magistrais sobre as suas composições.


Em Matosinhos apresentou-se com os músicos Bennoit Dunyer de Segonzac no contrabaixo e André Arpino na bateria.

Foi num tom “upbeat” que o concerto decorreu, com ritmo e excelência a todos os níveis, com cada composição a merecer aplausos consensuais, mais uma vez a dar provas do carinho que o publico português tem por musica de qualidade.



Não posso deixar de destacar a prestação a solo do contrabaixista, que durante largos minutos explorou o seu instrumento de forma divinal, entre escalas rebuscadas, delírios minuciosamente executados, etc, etc.


Nada mais belo do que sentir uma simbiose de tamanha pujança e delicadeza num mesmo espaço e tempo.



Jazz...














Estudo, dedicação, uma procura interior, e a partilha do resultado...
















Uma noite abençoada pela inspiração e execução ao mais alto nível.



"Matosinhos em JAZZ" de parabens, por todo o trabalho desenvolvido em prol da divulgação deste género musical.

O Jazz está cada vez mais enraizado, em especial junto dos jovens, e actividades como “Jazz Vai Á Escola”, animações de rua, etc, são um bestial exemplo a seguir...


Esta atitude de levar o Jazz ás pessoas é vital para a “desmistificação” de alguns preconceitos relativos ao mesmo, que facilmente se desvanecem bastando um contacto com as suas sonoridades.

A IMAGEM DO SOM está aqui para desempenhar o seu papel...

Fotografia e texto: Ricardo Costa

AGRADECIMENTOS:

TROVAS SOLTAS


CAMARA MUNICIPAL DE MATOSINHOS

SAMUEL QUINTO TRIO & DIANNE REEVES

SAMUEL QUINTO TRIO(br)

DIANNE REEVES(us)

14ª EDIÇÃO MATOZINHOS EM JAZZ

DIA QUATRO




Samuel Quinto, um autodidacta, é um pianista do mais alto nível, e destacou-se na escolha que fez para a sua musica: Latin Jazz.


Tomou Portugal como sua casa desde 2005 e logo criou o 1º curso dessa faceta do jazz reconhecido pelo Governo Português.


O seu som deriva de influencias diversas como Chick Corea, Cole Porter, Michel Camilo entre outros.


Depois de 2 albuns carregados de sucesso, sendo eles “Latin Jazz Thril” e o muitíssimo bem sucedido “Salsa’N Jazz”, que se tornou uma obra marcante, colocando-o como a maior figura do género deste lado do oceano.

É acompanhado pelo baixista, também brasileiro, Edamir Costa e pelo baterista cubano Manuel Santiesteban, cujo papel é muitíssimo forte no resultado final das composições de Samuel.



























Num jeito descontraído, deram-nos jazz latino riquíssimo em ambiente e qualidade, e, tal como dizia o compositor, “se alguém quiser dançar, acho que pode!”, dado o ritmo dançável embutido na actuação.

Destaque para um bolero chamado “Dona Preta” dedicado á sua mãe, e um momento belíssimo com Carlos Buzana cantando o tema “Beatriz” de Chico Buarque”. A sua voz suave e com aquele sentimento forte mas com toda a classe, Carlos encantou, deixando a audiência rendida á sua prestação.












































E teve inicio um dos concertos mais esperados, com Dianne Reeves, considerada a ultima verdadeira diva do jazz.

Provou vezes sem conta que estávamos perante alguém que sente e interpreta o jazz de forma muito diferente do que estamos habituados.








































Tal como que tivéssemos por instantes sido transportados para os “Golden Years”, quem sabe em pleno “New Orleans”… toda a classe desta lenda vida, junta a uma simplicidade absolutamente desarmante…

A sua rítmica é muito pessoal.

Tem swing, tem alma, tem um espaço enorme por onde ela faz passear os temas que interpreta com força, coragem, assim como segurança e mesmo raiva q.b.

O seu ultimo álbum, “When you know” é uma pérola.














Aqui fez-se acompanhar por músicos de excelência, nada menos: Peter Martin no piano (discreto mas fundamental); Reginal “Reggie” Veal no contrabaixo; na bateria Terreon Gulley, e o brilhante guitarrista brasileiro Romero Lubambo que tem um currículo invejável, como o álbum “Rhythmstick” de Dizzie Gillespie.


Todos tiveram espaço para brilhar, e fizeram-no de forma de forma generosa.


A audiência acarinhou banda e diva, com um nº sem fim de ovações em pé, obrigando Dianne Reeves a voltar uma e outra vez a um palco que a recebeu e vibrou a cada nota, cada passagem mais complicada, cada improviso no qual Dianne é uma referencia.

Nada menos do que inesquecivel.


Rendidos, neste ultimo dia, e já se fala e espera pela próxima edição, dada a qualidade demonstrada nestes 4 dias de MATOSINHOS EM JAZZ.

Deixo aqui uma nota especial ao seu director artístico, António Ferro, pela visão e coragem que a cada ano tem demonstrado.


Fotografia e texto: Ricardo Costa


AGRADECIMENTOS:

TROVAS SOLTAS