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VANESSA SASSINE QUARTETO              
                                                                                   17.07.2010

NA TERTÚLIA CASTELENSE, NA MAIA

A REPORTAGEM AQUI

TEXTO E FOTOGRAFIA : NUNO MOREIRA
UNOESKIMO

EM CONCERTO NA TERTÚLIA CASTELENSE

REPORTAGEM AQUI (TEXTO E IMAGEM)
TEXTO : RICARDO COSTA
FOTOGRAFIAS ; HUGO SOUSA

UNOESKIMO

UNOESQUIMO


CONCERTO NA TERTÚLIA CASTELENSE



A banda UNOESKIMO apresentou-se no passado Sabado pelas 24H00 no espaço Tertulia Castelense (Maia, Porto) continuando a promoção do seu album homonimo, lançado em Novembro do ano que findou.



Trata-se uma banda com claras vertentes “Indie”, mas não se ficam por aí. E ainda bem devo dizer.


Abriram com o tema “The Reprive”, e já ali se sentia que não se tratava apenas de mais uma banda. Sensação confirmada com o tema seguinte “Ask The Dust”. Revelavam uma riqueza e consistência sonora, que denunciam um caso sério de talento, e anuncia os UNOESKIMO como as das bandas a seguir de perto e com atenção.


O 3º tema, “Vile Bodies”, que tudo indica ser o 2º single, tem tudo para ser um hit. Um riff forte e original a que dificilmente se fica indiferente, sendo o momento alto da noite.

Nessa altura percebemos o que torna o som desta banda tão apelativo: uma combinação de composições aparentemente simples com uma cortina de pequenos arranjos e texturas sonoras, criados muito em parte pela guitarra solo e os seus delírios controlados e pelas teclas que aqui e ali levam os nossos sentidos a novos lugares.


Tratou-se de uma actuação sólida, onde a boa disposição ajudou, tendo em conta que o publico não era dos mais fáceis. Tempo para os Parabens A Você a um membro da banda, e ainda para a repetição do tema “Vile Bodies”, para a captura de imagens a serem usadas no vídeo em preparação.



Dando por fim a actuação, voltaram para o encore, onde tocaram “La Bamba” em jeito de brincadeira, seguido da repetição dos temas “Ask The Dusk” e “Vile Bodies”.


Um concerto conseguido, uma banda interessante que se destaca do restante panorama musical português. Um nome a reter.

SETLIST

The Reprieve
Ask The Dust
Vile Bodies
Moon Indigo
Disgrace (1º single do album)
Enduring Love
After The Quake
Weapons
The Heart is a Lonely Hunter
Intimacy

Encore (Ask The Dusk & Vile Bodies)








FOTOGRAFIAS : HUGO SOUSA
TEXTO : RICARDO COSTA



ELFLAND

ELFLAND
Tertulia Castelense, 10 Abril, 2010

“…celebra o amor pela música e pelo belo como factores impulsionadores de vida”, assim se descrevem no seu site.



Acho mesmo que é a melhor forma de descrever o som desta banda com origem em Espinho/Porto em 2003.

Tendo na sua base o guitarrista Celso e a vocalista Susana e “mulher dos sete instrumentos”, contam finalmente com uma formação completa e acima de tudo sólida, permitindo apostar em voos mais altos. Falo de Nuno Gaspar um outro multi-instrumentista (sintetizador, sampler, flauta, e muitos outros suspeito) que parece entrar em transe aqui e ali de tão apaixonada é sua forma de estar, João Leitão que se ocupa e muito bem do baixo de forma segura e fluida ao mesmo tempo e de Nascimento, o homem das baquetas, muito exacto, conciso e com um som carregado de swing na sua forma de tocar.

Com a sala de coração quente e acolhedor, deram inicio á sua actuação e pouco a pouco, assistiu-se ao desfilar de composições no mínimo inebriantes.

Tendo apenas o EP homónimo de 2006 como cartão de visita, tem hoje um vasto leque de composições ricas em deliciosas harmonias, tanto eclécticas como sensíveis. Um misto de rock, jazz, com ambientes que nos fazem levitar, que nos transportam para além do palpável… ambientes esses construídos cuidadosamente sobre uma estrutura bem pensada, mas nunca de forma mecânica.

Muito pelo contrário. As pitadas de sonoridades psicadélicas em doses a gosto, assim como todo o trabalho de arranjos, em especial as linhas de guitarra e piano, servem um propósito maior do que mostrar obra e talento.

Abriram com o tema “Birds”, nervoso passeio com ares “Nick Cave”ianos, sem o lado doloroso. Atrevo-me a dizer que ele próprio se vergaria perante esta composição.
Os temas sucedem-se e rapidamente se torna claro.

Estamos perante músicos que conseguem algo que resulta de uma química rara, aquele elemento que faz a música e os seus criadores transcenderem a sua realidade física e imediata.

Conseguem que surja a vontade de fechar os olhos e sentir tudo, cada nota, decifrar intenções, abandonar convenções óbvias e adoptar outros sentidos…
Neste momento em que nos servem milhares de temas por segundo, em que somos esmagados tanto por qualidade como quantidade de bandas, sabe melhor do que nunca sentir algo mais do que inovador ou de qualidade irrepreensível, sabe bem, querer estar ali a explorar, sem pressa de consumir mais e mais e mais…

O tema “Flight over Mars” é um do melhor que se fez por terras lusas. Numa palavra: perigosamente adictivo.

Não se pode passar ao lado desta banda. A perda seria irremediável.



Entrevista
Á conversa com Celso e Susana…

Como surge a banda e o seu conceito?

Susana- Eu já tinha algumas músicas, algumas ideias e queria ter músicos para tocar comigo. Resolvi dar o nome ELFLAND porque as letras quase todas falavam de um cenário de fantasia… depois encontrei algumas pessoas que não conhecia, dado que não conhecia nenhum dos elementos… uns por amigos, outros por coincidência ou ainda pela internet e surgiu a nossa 1ª formação, sendo que desde aí já passaram várias.

Celso- Em termos de conceito, tentamos ser o mais heterogéneos possível mas sempre mantendo uma marca que supomos e esperamos que seja a nossa. Exploramos vários tipos de sonoridades, não estamos presos a um estereotipo ou a uma sonoridade em concreto nem especifica, nem nos preocupamos com isso… é evidente que ouvimos musica, e lemos livros etc, e isso tudo somado dá o som ELFLAND.

A formação actual, que influencias tem os seus músicos em geral?

Celso- Lá está, ouvimos mesmo muita música. Bossa nova, pop, rock, jazz, psicadélica. Eu ultimamente ando a ouvir muito os Grizzly Bear e Owen Pallet.

Susana- Mesmo dentro da própria banda, não ouvimos as mesmas coisas… Eu é Hermeto Pascoal, e claro, todas aquelas bandas de sempre tipo Radiohead, Jeff Buckley…



Qual o background musical de cada elemento da banda?

Celso- Eu sou formado em guitarra clássica pelo conservatório do Porto, estudei jazz… e venho desde há muitos anos a tocar tudo e mais alguma coisa, mas a formação é essa.

Susana- Todos nós estudamos, mas falando por mim, estudei vários instrumentos: órgão, bateria, piano e guitarra eléctrica na escola de jazz, e tenho o curso de educação musical.

Falem-me do da forma como os temas surgem, do processo criativo, etc.

Susana- Geralmente faço a estrutura (letra e musica) e levo para a sala de ensaios para todos darem o seu contributo, ideias, etc.

Celso- O que não sai nos ensaio, depois temos de nos fazer reclusos para chegar lá [risos]…

Susana- Tambem temos trabalho sem ser nos ensaios…

Celso- Sim, eu e a Susana juntamo-nos para trabalhar arranjos de cordas e orquestra, etc, tudo que se pode ouvir em concerto.

Como definem o vosso som?

Celso- Nós temos a impressão que estamos levar com tudo, porque não nos conseguimos prender a um género apenas. Tanto fazemos algo psicadélico como a roçar bossa nova. Talvez se possa dizer que o nosso som é melancólico, mas não forçosamente calmo.
Quais os sentimentos que querem fazer passar?

Celso- Eu deixo isso mais ao critério das pessoas… um mesmo tema pode ser sentido de formas diferentes de pessoa para pessoa…

Susana- Mesmo dentro da banda… as vezes alguém diz “este tema é alegre” e nós “alegre?!”



Como surgiu o EP?

Susana- O EP surgiu com outra formação (outro baterista e baixista), éramos quatro na altura, mas esses elementos entretanto saíram… Surgiu com a necessidade de mostrar o que estávamos a fazer, não apenas ás pessoas mas também a nós próprios… e acho que escolhemos bem os temas.

Celso- Acabamos por gravá-lo quase todo sozinhos. Quanto aos temas, o facto de estares em estúdio obriga-te a definir melhor as coisas. Por vezes as coisas espontâneas que surgem na sala de ensaios e pensamos que até estão bem, ao reflectirmos sobre elas acabas por ver que não é bem assim, ou consegues certamente melhor.

Como tem sido as reacções?

Celso- Ele acabou por não ser editado. Ia ser uma edição de autor, mas depois com a saída dos restantes elementos, a formação mudou, e não fazia sentido irmos avante. Tocar tudo aquilo sozinhos pelas estrada, não era possível, obviamente.

Então houve uma pausa em termos de actuações, porque demorou ainda um tempo a encontrar os elementos certos que encaixassem na banda. Ficou sem se editar nada, mas ficou o registo e serviu para dar a conhecer a algumas pessoas, e ainda passou nas rádios.

Planos em relação a um longa duração, existem? Falem-me disso.

Susana- Estamos a pensar gravar.

Celso- Estes concertos que temos vindo a fazer também é um bocado para trazer ao publico todo um reportório que já existia e também ver a reacção das pessoas, porque se fossemos agora para estúdio não podiamso gravar os temas todos, era impossível. Assim dá para se ter um feedback e ajuda sempre na escolha.
Estamos então nessa fase, e depois sim, ir para estúdio gravar.

Em termos de editora, tem algo a acontecer?

Celso- Houve na altura do EP, e entretanto iremos pensar nisso, mas actualmente as bandas não dependem tanto disso como há uns anos.

Qual a vossa opinião sobre a cena musical nacional e em relação á sua evolução?

Celso- As condições melhoraram muito, mesmo em termos de material, estúdio, e até em tocar ao vivo. Para quem começou a tocar no inicio dos anos ’90, na altura não havia praticamente nada, tínhamos de inventar, as infra-estruturas eram nulas, e já não estamos nos primórdios, já muita coisa tinha sido feita com o boom do rock português. E tudo foi evoluindo, naturalmente.

Projectos a curto e longo prazo?

Susana- Alguns concertos agora, não só para mostrarmos mas também para rodarmos os próprios temas para depois fazermos a gravação e fazer chegar ao maior nº de pessoas possível.


“…Elfland... terra de fadas e de duendes... terra de sonhos…”
A Imagem Do Som espera que esses sonhos se realizem.


REPORTAGEM (TEXTO E IMAGEM) : RICARDO COSTA

AGRADECIMENTOS
TERTÚLIA CASTELENSE


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LA LA LA RESSSONANCE

LA LA LA RESSSONANCE
NA TERTULIA CASTELENS
REPORTAGEM E ENTREVISTA
MAIA
20 MARÇO 2010

Metamorfose. Não tem mas até poderia ter ligação com a obra de Kafka, dado que os La La La Ressonance são isso mesmo em relação aos The Astonishing Urbana Fall, ou seja, a mesma banda mas que algures se redefiniu por assim dizer.

Se The Astonishing Urbana Fall era aquele passeio pela cidade sem rumo predestinado, La La La Ressonance é a própria cidade, com os seus cheiros, caminhos, fumos, ruídos, e pessoas que nela passeiam.

Em 2006, essa redefinição deu forma ao álbum “Palisade”, e já em 2009, lançam “Outdoor”.

O som? Jazzistico, um estudo instrumentalista onde a técnica segue o músico para locais abstractos (a tal palavra multi-usos). Entrar neste mundo é despir-se de convenções automatizadas pela mecanização de tudo que somos e fazemos. Favor deixar todas as ideias pré-concebidas.

Com a sala quase cheia, desfilaram temas de ambos os álbuns, com um empenho só comparável ao excelente desempenho. A audiência dividia-se entre olhares hipnotizados e expressões da mais profunda confusão assim como total incompreensão.

Os aplausos surgiam quer no final dos temas, quer no auge de uma passagem mais inebriante.

Falamos aqui de músicos e de um projecto que tem sonorizado obras de alguns dos mais conceituados realizadores de animação contemporânea. Não devem provas de qualidade a ninguém, e este concerto deixou isso bem claro.
Para apreciadores do género e amantes de excelente musica.



ENTREVISTA
após concerto com André Simões e Gil Teixeira

Contem-me como foi essa passagem de “The astonishing urbana fall” para “La La La Ressonance”, o desenrolar dos eventos até ao dia de hoje. É uma revolução?

André Simão- Sim, uma revolução. Ou se calhar uma evolução. O que aconteceu é que ao fim de 10 anos íamos fazer o álbum, e quando começamos a gravar não soava nada a “urbana fall”… tínhamos acordo com agentes, editoras etc., e tivemos de conversar sobre o assunto e percebemos que o que estávamos a fazer não era a mesma matriz da banda que tínhamos há 10 anos.

Tivemos de mudar o nome, porque uma nova identidade sonora assim o requeria. No fundo a banda começa com o 1º disco. Claro que tivemos de explicar a toda a gente envolvida o que estava a acontecer, e com alguma luta houve acordo, acabamos por editar em 2006 o “Palisade” e fizemos uma série de concertos de promoção.

Nessa altura tínhamos decidido que íamos ser mais musicais, ou seja, debruçarmo-nos mais sobre a música, em contraponto ao que acontecia enquanto “urbana fall”. Aí apercebemos que há uma evolução e acabamos por não conseguir resistir a este apelo dos filmes e uma série de colaborações, e no fundo acabamos por recuperar o lado mão cénico e performativo dos “urbana fall”.

Entretanto gravamos o 2º disco, e a aventura continua.

Musicalmente, e em relação a “The astonishing urbana fall”, juntaram então um experimentalismo mas mais objectivo ou como se passa nesse aspecto?

Gil Teixeira- Eu acho que se calhar nos La La La há mais conteúdo… eu já entrei a meio dos “urbana fall”, por isso tenho a experiência como espectador e como membro.

Acho que abandonamos aquele carácter quase épico, aquelas cavalgadas sem fim onde se deixava tudo em aberto e em que havia muito, mas muito improviso, uma experimentação não tão arrojada a nível musical, ou seja, não era uma experimentação tão melódica ou harmónica, mas sim mais pelas texturas que se criavam, era mais em termos de performance.

Nos LLL é em outro sentido, em termos de síntese de elementos aparentemente paradoxais, de origens musicais que em princípio nada teriam a ver umas com as outras e fazer uma fusão que chegue a um produto final que tenha muito pouco espaço para improvisação, ou seja ao contrário dos “urbana fall” em que estava por todo o lado, nos LLL temos pequenos nichos de improvisação mas que fase final, quando os temas estão já definidos e quando já os apresentamos, existem certos momentos para improvisação, mas de forma geral é um trabalho é muito mais cirúrgico, muito mais cerebral, no fundo um trabalho de composição mais pensado.

As influências, a julgar pelo vosso som, são das mais variadas. Falem-me disso.

André- Quanto ao que ouvimos, e isto não é fantasiar á volta das personagens da banda, é mesmo verdade: nós ouvimos todos músicos diferente…

O Gil por exemplo é talvez o mais académico de todos, trabalha com música, tem uma ligação forte á música clássica e erudita, o Paulo ao jazz, o Ricardo ao rock, eu mais á pop, portanto coisas completamente diferentes…

Gil- Nunca dizemos o que é que o Jorge (baterista) ouve…

André- É uma espécie de diamante em bruto, não sabemos muito bem o que é que ele ouve, ele não se pronuncia muito, basicamente é uma criatura sem rede, que aterra em cima dos temas como um meteorito, é mais ou menos isso. É o musico mais solto da banda

Sim, o que é espantoso. A bateria fica sempre um bocado presa pela rítmica, mas ele não se prende, sempre a mudar de rumo, explora…

André- No nosso caso, os nossos papéis estão um bocado invertidos, e essa é uma das coisas que fomos descobrindo com esta nova direcção tomada enquanto LLLR. É que os lugares das harmonias estão como que fora do sitio, os próprios músicos parecem fora do sitio, e mesmo a estrutura convencional de uma canção e da maneira que ela se desenrola, que é um traço muito único dos LLLR, é o facto dos instrumentos de base como o baixo e a bateria estão sempre a cantar, enquanto que o Ricardo (guitarra) tem muito mais função de base do que o baixo e bateria, ou seja, há uma “estranheza” porque dá-se uma troca de papeis.

É como ter uma voz em 2º plano que se ouve mais, e a que está em 1º é mais baixa. Na questão que falaste de improvisação, ao contrário do jazz, onde em cada tema existem espaços para que cada músico faça a sua coisa, agora um depois outro, connosco passa-se mais da seguinte forma: acordamos entre nós que dado tema fica mais entregue a tal músico, e assim por adiante entendes… mas deixar espaços tipo 2 minutos onde não existe nada e onde um de nós cria algo sobre esse tempo, não, isso não acontece. Os temas são muito estruturados, são mesmo canções. Claro que existem momentos e instrumentos que são mais dados ao improviso, como nas percussões, e o saxofone que é um instrumento solo, mas de resto um tema tem uma duração que vem da tal estrutura e composição.

Em termos de decisões musicais, suponho que tem um sistema, dado o tipo de som. Como se passa?

André- Há porrada!

Gil- Neste momento, e sobretudo na composição para este 2º disco, lá está, dadas as sinergias deram-se colaborações e a musica foi acontecendo, como quando compomos para bandas sonoras (de cinema experimental etc.), existem sempre temas que gostamos mesmo e que aproveitamos porque tem a ver com o que estamos a fazer, mas na garagem, nos ensaios onde se compõem, as pessoas estão á solta, não há muito diálogo, e as pessoas vão entrando, as colheradas vão-se metendo e nós já funcionamos de forma muito orgânica portanto não há muita conversa nessa fase.

Numa 2ª fase, agora que temos matéria-prima começamos depois a lapidar e começa a dar-se a troca de ideias, e aí há uma fase de aceso debate.

Qual o rescaldo do álbum “Palisade”?

André- Nós ainda estamos a ressacar do 2º disco, ainda está muito presente, ainda é muito fresco, é tipo o filho recém-nascido, traquina e ainda nos dá que fazer. O 1º álbum, acho que unanimemente, adoramos o 1º disco. Deu-nos imenso gozo fazer o disco, promovê-lo e nesse sentido não podíamos estar mais satisfeitos com ele. Foi mesmo um processo de epifania, aliás, aquilo que surgiu foi de tal ordem que não hesitamos em alienar 10 anos de história e o nome que existia, com que já tínhamos feito algum caminho.

Foi um momento muito importante para a banda, pelas razões que expliquei.

Consideram o “Outdoor” mais directo, mais facilmente assimilável? Não falo em termos comerciais mas sim de sonoridade.

André- Se a pergunta é se as pessoas podem entender mais facilmente o que quisemos dizer com o disco, sim, sem duvida nenhuma. É um discurso muito mais directo, acho que qualquer pessoa consegue percebê-lo com muito mais facilidade quais são as intenções por detrás do disco. As intenções artísticas, musicais, etc.

O 1º álbum é muito mais críptico, muito difícil perceber onde é que estes gajos querem chegar, as referências, como se organiza um álbum que ora é electrónica, depois é pop, depois é frágil, depois é forte, etc.

Este não. Sem que isso seja um handicap, para um álbum ou outro, acho que este é bem mais assimilável sem dúvida.

O que sentem em relação á morte anunciada de um trabalho musical como um todo para ser vendido quase “às fatias”, a tal morte do álbum?

Gil- Eu ainda hoje vou no carro e ouço da 1ª faixa até ao fim dos álbuns… e sei que existem lá músicas muito fraquinhas, mas faz parte do conceito do álbum. Aliás, aliado ao conceito do álbum está o conceito da dinâmica, e é muito importante. Até essas faixas fraquinhas cumprem uma função, para dar força às faixas fortes. Depois existem as pessoas que escolhem 3 ou 4 faixas fortes e só ouvem aquilo, e dá-se uma “mesmidade” ou seja, perdem a tal força.

Essa é uma questão muito pertinente. Faz-me muita confusão encarar temas soltos, e isso de “agora fazemos um tema, daqui a uns meses outro”.
Um álbum tem um conceito, é um espelho de um grupo de pessoas, e se tirarem essa continuidade, deixa de fazer sentido.

André- Eu acho que a técnica não pode ditar a forma como a música é feita. Não é porque agora se pode descarregar um tema ou mesmo um álbum da internet que se vão fazer musica limitada a esse ponto.

Existe uma convenção testada e que se afirmou ao longo de séculos. Uma sinfonia tem uma hora mais ou menos, porque se tivesse 3 horas, a ideia não passava porque se perdia em tanto tempo, ou em 20 minutos porque era pouco tempo para se formar. Assim como no cinema.

Mas isso é uma decisão que assiste às bandas e aos músicos etc. Já existem bandas que lançam vários EP’s de 3, 4 músicas e vão fazendo e lançando. É uma forma de estar.
Eu pessoalmente, todas as bandas que gosto e que ainda estão no activo, não vejo sentido entrarem nesse sistema.

Agora se dá mais lucro? Claro que sim, sem dúvida.

A técnica é que tem de se adaptar á música e não o contrário. Até porque isso está testado, desde há séculos com as sinfonias e agora aos álbuns. O tempo médio são os 60 minutos, não é mistério nem segredo para ninguém.

Claro que no cenário de música mainstream isso acontece, mas aí a questão é outra.

Já a Madonna quando lançou o single “Like a virgin”, também lançou o Lp. E se calhar vendeu mais o single do que o álbum. Não é nada de novo no mundo da música mainstream.
Por isso eu acho que o álbum não está em perigo, até porque as vagas de música comercial vem todas de música mais séria.

Tem uma meta a longo prazo que gostariam de atingir ou é mais passo a passo?

André- Metas são os projectos que temos, e que depois se calhar daqui a 2 anos dão origem a um novo álbum, é mais por aí.

O que é o sucesso para vocês? O que é que vocês encaram como tal?

André- Não é uma pergunta fácil. Em 1º plano é a satisfação, no nosso caso é, que começa no local de ensaio e depois quando a malta se olha e diz “fizemos um bom álbum” ou “demos um bom concerto”.

Gil- A satisfação passa por ser realista. Eu diria que no nosso caso seria continuarmos a fazer o que gostamos com o gozo que nos dá neste momento, sendo possível conciliar as nossas agendas, etc.

Sucesso = Prazer?

Gil- Sim, eu diria que sim. Acho que a fruição é o maior sucesso. Conheço muita gente para quem a música é um negócio, e que grama muitos fretes, tocam o que não gostam porque tem de ser etc. Por isso acho que sim, o sucesso é mesmo fazer o que queremos com gozo. Se pelo caminho vier uma digressão europeia, ok, pode ser!

André- Claro que depois há ambições mais comezinhas, sejam terrenas ou banais.
Saber que se vai chegar a uma sala adequada ao nosso universo e vai estar cheia, que numa edição de um nº de exemplares “decente” a recepção é boa, etc., claro que ter um feedback positivo é bom! Dá força e energia para continuar.

A Imagem do Som deseja-vos esse tal sucesso, e se possível mais ainda!


REPORTAGEM (FOTOGRAFIAS E TEXTO)
E ENTREVISTA : RICARDO COSTA



GAMA GT BLUES BAND, TERTULIA CASTELENSE

Os GAMA GT BLUES PROJECT, apresentaram-se, em concerto, na passada sexta feira, dia 22 de Janeiro, na TERTÚLIA CASTELENSE.
Um bom espectáculo, de uma banda do Porto, que faz e canta Blues em português.
Um projecto arrojado, com uma qualidade musical, que obriga á aquisição do último trabalho discográdfico do grupo : "Blues à Moda do Porto.















Frankie Chavez

FRANKIE CHAVES

Tertulia Castelense, Maia (Porto)

Este espaço corre o risco de se tornar um local de culto. Quer pelas bandas que começaram ali a carreira, como pelas que por lá passam e a forma como o ambiente se torna facilmente familiar e acolhedor. É sem duvida o melhor local para se assistir a um bom concerto, sentindo-se como se a banda tocasse lá em casa na sala de estar.

Hoje tínhamos um nome que ultimamente teima em aparecer nas conversas e em todo o lugar onde de boa musica se trate.

Frankie Chavez, “one man band” praticante devoto de um blues/folk tão cru quanto intimo, era-me dito. Ok, a curiosidade ia crescendo.

E porque a malta precisa de etiquetas e afins, o musico ia sendo apelidado “um Jack Johnson português”. Bom, a referência não é má, pensava eu.

Nada me preparou para este concerto. Nem seria possível, tantas foram as surpresas e coisas mais. Qual Jack Jackson!!!

A 1ª impressão: o tipo parece saído de um carro americano, encostado algures na rua, pintado de lama e afins.

Depois, vem a musica. E essa sim, fala por si, e passado as referencias tal como Robert Johnson, Jimi Hendrix… apenas para citar os mais óbvios e conhecidos.

Pois, nada mais difícil do que falar sobre a sua musica, não sem recorrer a adjectivos orelhudos e banais… por isso sabe tão bem afirmar: só ouvindo mesmo!

A forma natural e eximia com que acaricia as cordas hipnotiza o mais céptico de entre nós.

Trata-se de uma conversa, onde somos envolvidos. O silêncio da audiência atenta desde o 1º acorde, como se nos fossem contadas histórias de outros tempos e lugares desconhecidos. E depois os aplausos que apenas desparecem para receber um outro trecho de GENIALIDADE!

Viaja-se, literalmente. Não pelo exotismo do som, mas pelo trilho que nos é apontado uma vez e outra.

Palavras de viajante, uma conversa consigo mesmo, que partilha, com a humildade dos grandes e força de quem encara a vida tal percurso aventureiro.

Um homem, algumas guitarras, e uma bateria despida ao essencial, alguns pedais são os componentes que nos transportam a universos paralelos, confortáveis, idílicos, onde tudo parece tal simples como respirar…

Viver num local como Austrália, revelou uma outra forma de encarar isto de tocar e encantar. Bendita!

Os temas? Abriu com “I don’t belong”, um dos temas mais fortes do seu EP homónimo lançado no projecto “Optimus Discos” de Henrique Amaro.

Tema ritmado, e composto por elementos que nos introduziam ao seu domínio sobre tudo que tem cordas. Tecnica excelente no uso de “slide”, 2º microfone para as partes de voz “distorcida qb”, passagens suavemente psicadélicas…

Seguiu-se “Vagabond”, versão da banda Australiana Wolfmother, tão reconhecível quanto personalizada.

Tivemos direito aos temas do EP, versões arrepiantes como a “Voodoo Chile” e “Sunshine of your love” de Cream, entre outras… O reportório deste musico é tão variado e sentido que custa a acreditar que estamos perante um produto nacional por assim dizer.

Surpreendente foi sem duvida a sua versão do “I believe I’ll dust my broom” do mítico Robert Jonhson! Que momento!

Este musico viu uma das suas musicas na banda sonora de um documentário sobre o surf na Indonésia; participou também na banda sonora do documentário “Pare, Escute e Olhe” de Jorge Pelicano, que retrata o isolamento das pequenas povoações de Trás-Os-Montes.

“Search” (tocada com guitarra portuguesa, com em open tuning")foi a musica oficial da prova Rip Curl Pro Search 2009, acabando por ser o “motor” inicial para a carreira que agora está em crescimentos.

Um artista que se junta ao leque dos eleitos que existem neste país, cujas carreiras devem ser acompanhadas bem de perto.



















Terminou a sua actuação com uma balada blues, daquelas que podiam ter origem nas margem do Delta, ou algures no Mississipi… sentida, um hino á dor/amor, e ainda nos prendou com um instrumental fantástico interpretado numa “Lap Slide Guitar”, que diga-se de passagem, Chavez domina de forma estonteante!

Não assistir a um concerto deste homem é privar-se de algo único.

“Pena não se ter gravado isto! Grande som, ambiente, etc… mas um gajo não adivinha”, dizia-me após o concerto.

Algo me diz que este concerto não sendo irrepetível quer em intensidade e qualidade geral, foi um daqueles que nenhum dos presentes se vai esquecer.

Setlist

Intro

I don’t belong

Vagabond

Time machine

Sunshine of your love

I believe I’ll dust my broom

Hey

Slowdance

Another Day

Reflexions

This train is gone

21st December

The search

Disbunda em La

Voodoo Chile + Mama

Dreams of a rebel

Bring me flowers

Circular Key


Texto: Ricardo Costa

Fotografia: Ricardo Costa e Carla Silva