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RODRIGO LEÃO

RODRIGO LEÃO
NO CINE TEATRO DE ESTARREJA
ESTARREJA
01. ABRIL. 2010


A actual digressão de Rodrigo Leão e do seu Cinema Ensemble, que tem por base o mais recente álbum do compositor, intitulado "Mãe", passou na passada Quinta-feira por Estarreja. Sala cheia para assistir a um espectáculo que todos anteviam de qualidade. E não se enganavam.

O concerto iniciou com "História", um tema instrumental que é também o primeiro do novo álbum.

Seguiu-se "Voltar", do álbum “Mundo”, para cuja interpretação subiram ao palco a cantora Ana Vieira e o baterista Luís San Payo.

Após um brevíssmo cumprimento ao público do Cine-Teatro de Estarreja, escutou-se "Corda", ao qual se seguiram três temas instrumentais: "A Valsa do Equador", "A Estrada" e "A Comédia de Deus".

"Deep Blue", "Hapiness" e "Sleepless Heart" foram interpretados, em inglês pois claro, e depois ouviram-se os pássaros... os "Pássaros de Panjim" e "Cidadãos".

Rodrigo Leão surpreendeu o público de Estarreja a anunciar um convidado e amigo especial, Gomo, que chama ao palco para interpretar o tema "Cathy" (originalmente interpretado por Neil Hannon, dos Divine Comedy) e "Give Up". Um excelente momento, diga-se.

Seguiu-se a "História do carro", e Ana Vieira voltou ao palco para (en)cantar com "Vida tão estranha" e, em castelhano, com "Canciones negras". Esta intérprete é uma delícia de escutar...

Rodrigo Leão apresentou de seguida o septeto que o acompanha, e que compõe o Cinema Ensemble: Celina da Piedade (Acordeão e Voz), Viviena Tupikova (Violino), Bruno Silva (Viola de Arco), Carlos Gomes (Violoncelo), Luis Aires (Baixo) e os já referidos Luis San Payo e Ana Vieira.

Foi em francês que o espectáculo entrou na recta final, com "Solitude" e "La fête", temas no seguimento dos quais os músicos abandonaram o palco.

O público, não se conformou e voltou a chamar Rodrigo Leão & Cinema Ensemble ao palco.

"No sè nada" com Ana Veira a dar um ar da sua graça com o kazoo (versatilidade parece ser palavra de ordem – esta Ana Vieira surpreende sempre) e secundada por Viviena Tupikova, e "Ya skaju tebe", um tema do novo álbum , interpretado em russo.

O concerto fechou com Celina da Piedade, cheia de graciosidade, a interpretar "Pasión". Outro marco da noite.

Este Cinema Ensemble e o seu mentor, Rodrigo Leão, detêm uma seriedade e uma serenidade musicais muito invulgares. Produzem um espectáculo cheio de musicalidade e de rigor (os mesmos que reconhecemos nos seus trabalhos e estúdio), no qual se cantou em cinco idiomas, e do qual fica a ideia de ser efectivamente possível relacionar de forma íntima música erudita com cultura popular, levando-a às massas.

Rodrigo Leão é um compositor ímpar que revela uma cultura musical extraordinariamente elevada, não receando a fusão de estilos diferentes, desde que o resultado se anteveja de qualidade. O que sucede sempre, aliás.

Também de enorme qualidade é este Cinema Ensemble, que dá a Rodrigo Leão toda a confiança musical para se exprimir da sua forma mais pura.

A música de Rodrigo Leão não é pop, mas colhe cada vez mais admiradores; também não é de consumo imediato, mas vai tendo as salas deste país cheias para o ouvir. É um nome cada vez mais falado e, felizmente, também cada vez mais ouvido. E devemos realmente congratular-nos por isso, pois todos quantos ouvem a sua música ficam culturalmente mais ricos e saem a ganhar.












FOTOGRAFIAS : RUI VAZ
TEXTO : SARA SALGADO

Agradecimentos:

Nuno Guerreiro em Estarreja


15 de Maio de 2010
4ª Edição do Ciclo de Concertos Íntimos
Cine-Teatro de Estarreja





Nuno Guerreiro ao vivo e em grande forma

Já lá vão uns anitos – precisemos: dezasseis – que Nuno Guerreiro deixou boquiaberto um Portugal não preparado para uma voz contra-tenor nos tops de música. Foi assim no início, com a Ala dos Namorados.

Entretanto, o rapaz fez-se homem e está já a preparar o lançamento do seu terceiro disco em nome próprio, que se chamará “Discriminação”. O tempo passa...

Nuno Guerreiro presenteou-nos com uma noite de emoções e recordações.


Para além dos seus próprios temas, interpretou músicas da Ala dos Namorados, como o “Caçador de Sóis” ou “Fim do Mundo”, e versões de temas (já) universais como “Everybody's Got to Learn Sometime”, “Miss Sarajevo” e “Creep”. Falou um pouco do seu percurso musical e apresentou algumas das suas novas criações como “Se não estiveres cá”, “Gangster” (onde o guitarrista Berg encanta em background com a sua slide guitar) e “Não sei”. Esta última foi, de resto, repetida no encore e será o primeiro single do novo álbum. O refrão foi repetido até à exaustão:
Eu sei que te vou amar
Não sei se tu vais gostar
Bem sei que eu vou tentar
Não sei o que vais pensar

Boa batida e boa escolha para primeiro single!


Para o tema “Tento saber”, do segundo álbum, o cantor chamou ao palco Ricardo, um convidado especial, e também o tema “Casa” (dos DaWeasel, com a participação de Manuel Cruz na versão original) foi interpretado em dueto, desta feita com Bambino, um dos elementos do trio de coro.

“Guida” foi interpretada com muita emoção, e foi um momento alto. Como foram, de resto, aqueles que Nuno nos trouxe com “Criatura da noite” e “Solta-se um beijo”, nos quais o público participou fortemente.

“Vem cá”, cantada na versão original com T.T., serviu de mote para a apresentação dos oito músicos que constituiram a banda de Nuno Guerreiro. A saber:
no saxofone - Guto Lucena; nos contrabaixo e baixo - Miguel Amado; na bateria - Carlos Miguel; na guitarra e segundas vozes – Berg; ao piano - Ruben Alves; e nos coros - João Miguel, Helder e Bambino.

O concerto terminou após um encore, com os “Loucos de Lisboa”, durante o qual Nuno Guerreiro desceu do palco e se deslocou pela sala, plateia dentro, a despedir-se e a agradecer a todos. Singular.

A sala esteve muito composta e a plateia animada. Não foram raros os piropos ao artista e este nunca os ignorou e respondeu sempre com enorme simpatia.


No fim do espectáculo, Nuno Guerreiro subiu ao café-concerto do Cine-teatro, onde transformou uma sessão de autógrafos num convívio informal com os seus (maiores ou menores) fãs. Quem optou por não ir logo para casa, certamente que não se arrependeu: muito bem-disposto, muito irreverente e, de novo, muito simpático, tratou com enorme deferência todos aqueles que a ele se dirigiram para um autógrafo, para uma fotografia ou apenas para uma troca de impressões. Muito terra-a-terra, este Nuno Guerreiro. Já gostávamos dele e passámos a gostar ainda mais... Ainda por cima, está a cantar cada vez melhor!


Em suma: a voz de ouro fechou com chave do mesmo quilate este ciclo de Concertos Íntimos levado a cabo no Cine-teatro de Estarreja, que se mostrou de novo uma sala com condições fabulosas, a todos os níveis.




















E depois do concerto...








Reportagem:
Sara Salgado e Rui Vaz
 
 
Agradecimentos:
Cine-teatro de Estarreja
Ponto G