2º eliminatória, 15 Julho 2010
Vila do Conde
Esta 2º eliminatória prometia uma coisa acima de tudo: variedade. Algo para agradar a (quase) todos, o que é sempre uma boa razão para se deslocar a um Teatro num Sabado á noite quentíssimo!
Desde os trovadores do escuro The Dorian Grays, passando pelos “animadores” Shivers que praticam algo que se pode chamar de “funny rock”, teríamos ainda os Lobo Mau com o seu rock directo e a banda de metal musculado Innerview, esta fase do concurso teoricamente seria bem interessante.
A 1ª questão que me passou pela cabeça ao pensar nas bandas que iam apresentar foi a mesma que muito boa gente ali presente se colocava: num concurso de música, como poderia ter sido seleccionada uma banda como Shivers?!
O tema pairava no ar e os argumentos também. Uns achavam tal facto um insulto ao trabalho desenvolvido pelas restantes bandas; outros que eles tinham o mesmo direito, dado que a musica deles é também afinal de contas… música.
1ª Mostra de Musica Moderna… o que é ou pode ser isso de “Musica Moderna”? Pessoalmente acho que abre a porta a projectos bem mais estranhos do que Shivers.
Que a “luta” continue!
1ª banda: The Dorian Grays
É tempo da 1ª banda da noite tomar o palco, e acima de tudo, tempo para que a música essa, fale por si.
The Dorian Grays são sem duvida uma das bandas que mais interesse tem vindo a despertar no meio de quem anda sempre á procura e atento a projectos com qualidade e “aparentemente pernas para andar”.
Abriram com o tema “Block Rockin’ Beats”, original do aclamado duo britânico Chemical Brothers, e desde logo os problemas de som se tornaram demasiado óbvios.
Foram vitimas das falhas de som sim, mas a sua actuação pecou por falta de garra e atitude, possivelmente uma reacção ao som péssimo com que foram brindados. Mesmo assim “Our Excess” para os mais atentos, é um tema á altura de uns Muse (numa fase porreira e menos pop).
Uma certa desilusão, foi o que senti, dadas as altas expectativas. De qualquer das formas, não deixem de os seguir e acima de tudo, apoiar na estrada. Uma simples audição aos temas que vão colocando no seu Myspace basta para justificar tal atenção.
Abrir o palco é sempre uma tarefa ingrata, e aqui a escolha não poderia ter sido pior.
Faria muito mais sentido colocar os Shivers a abrir, sacando os sorrisos e gargalhadas que se seguiram com uma actuação bem á sua maneira.



2ª banda: Shivers
Resumir a performance desta banda de Pinhal Novo é recorrer a palavras como circense, entertainers que constroem uma festa super engraçada com abraços a um segurança depois de mais uma volta pela plateia, etc,
E a musica de Shivers?
Bem, até usam esporadicamente uma bateria e uma guitarra, e lançam umas frases que se supõem serem as letras do que de vez em quando se poderia considerar um tema, dessas cenas musicais que as bandas a sério fazem. Mas o mais bem conseguido eram os rasgões nas meias e pouco mais.
Até o roadie deu uns toques na bateria, todo contente e a gargalhada era já rija.
E foi isso. Falar em algum tema que se destaque? Não me atrevo… Ah, a versão “desconstruída” de Breed de Nirvana, com o teatral atirar repetidamente da guitarra pelos ares soa a algo conhecido, pelo menos isso.




3ª banda: Lobo Mau
E é a vez dos Lobo Mau, vindos da cidade aqui vizinha Trofa, com uma base de apoio bem presente.
Praticam um rock eficiente, e notam-se bons certos momentos de boas composições, mas ficamos meio perdidos: vocalizações demasiado rock em temas marcadamente “bluesy”, são quanto a mim o calcanhar de Aquiles desta banda.
Em geral, conseguem animar e levar a bom termo o seu som, tal como no tema “Dupla Face (Flor)”. A versão do verdadeiro hino “Frágil” de Palma, aqui com uma roupagem bem rock, resultou bem mas faltou fôlego para mais.
No final, os Lobo Mau tinham razões para sorrir. Tinham sacado a melhor prestação da noite, e com uma banda de metal a fechar as portas, julgando pela velha tradição dos concursos nacionais, teriam a eliminatória “no papo”.



4ª banda: Innerview
Innerview, deram inicio á sua brutal actuação com o tema Broken Society, e os riffs eram tão pesados quanto pouco originais, mas muito eficientes.
Excelente atitude no palco e estavam ali claramente para dar “porrada” a quem esperava sorrisos á caça de palmadinhas nas costas.
O tema “Godless” mostra já uma complexidade rítmica bem sacada e umas vocalizações no ponto.
Esperava ouvir “Purify”, mas levamos com “Everything I Hate” que faz lembrar uns Pro-Pain vitaminados. Muito boa prestação.
Como cover trouxeram a “Laid To Rest” dos Lamb Of God.
Ousados. Esperava-se um classico “old school”, mas decididamente estes bacanos vieram de Leiria com uma força imparável. Mesmo com “pregos” bem perceptíveis, esta cover foi de longe a mais bem conseguida da noite.

É hora da decisão: qual destas bandas estará presente na final, a decorrer no dia 7 de Agosto?
Surpresa total: Shivers!
Os parabéns á banda pela parte da IMAGEM DO SOM!
“Mas estes não foram aqueles que só vieram fazer umas palhaçadas enquanto as bandas a sério se preparavam?!” dizia alguém ao meu lado.
Esta noite perdeu a MUSICA e ganharam os “collants”.
Esperemos que a decisão de “colorir” a Final não lhes saia cara, á organização, que mancha aqui uma iniciativa que até á data vinha sendo brilhante.

