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GUANO APES

GUANO APES


Queima de Coimbra, 14 Maio 2010



Para mais uma edição da Queima das fitas de Coimbra, o dia 14 de Maio estava reservado aos cabeça de cartaz Guano Apes, a enérgica banda alemã liderada por Sandra Nasic, terminar as hostes de uma semana de boémia estudantil nesta cidade.


A noite fria e a ameaça de chuva não afastaram os milhares de fãs, que se concentraram no recinto, para ver uma das bandas emblemáticas da sua juventude.


Pouco passava da 1h:30min, quando finalmente subiam ao palco com o tema “You Can’t Stop Me”, retirado do último álbum de originais “Walking on a Thin Line” de 2003.


Recorde-se que os Guano Apes se encontravam inactivos desde 2004, e só no ano passado se voltaram a reunir para concertos, estando anunciado um novo álbum para breve.


O que esperar de uma banda nestas condições?


A irreverência e revolta desvaneceram-se com o tempo, as calças e t-shirts largas de Sandra desapareceram, dando lugar a calças e tops justos.


Afinal, já é uma mulher.


Uns Guano Apes mais maduros, mas nem por isso com menos aptidão para um palco.


O concerto seguiu-se com “Money & Milk” e “Open Your Eyes”, acompanhados de “moche” constante.

Sempre interactiva com o público, Sandra Nasic relembrou como é bom voltar a Portugal.


A noite fica marcado pela negativa, por um episódio lamentável por parte da segurança, que fez parar o andamento do concerto por duas vezes, devido à queda de grades de segurança entre público e o fosso, e a vocalista soltou algumas palavras de indignação.


Mesmo assim não faltou nenhum clássico, “No Speech”, “Pretty in Scarlet”, “Scratch the Pitch”, “Break the Line”, “Quietly”, “Big In Japan”, foram alguns dos temas que agitaram a massa humana presente no recinto, que viu a noite terminar com “Loard of the Boards”.














































Sanda Nasic, sempre poderosa...





































Uma noite onde a IMAGEM DO SOM não poderia faltar!
Texto: Inês Castelo
Fotografia: Endivas

AGRADECIMENTOS:

PORTO EVENTOS


Gotan Project

Gotan Project

Coliseu do Porto, 8 Maio 2010



Um concerto de uma banda única como os Gotan Project num local marcante como o Coliseu do Porto, é sempre um evento rodeado de imensa expectativa, e isso sentia-se nos rostos sorridentes de quem ali se deslocou num dia perfeito para tal, com a chuva a tornar-se parte do cenário como se de um preludio se tratasse.

De louvar também a coragem e empenho da promotora Porto Eventos em nos trazer constantemente bandas e artistas de renome e qualidade, mesmo quando a crise e a tendência geral contrariam tais actos. Quando tudo corre bem não se apontam dedos, mas a Imagem Do Som não pode deixar de o fazer, e congratular quem está longe da ribalta mas cujos esforços não merecem ficar no anonimato.

O Coliseu completamente cheio, como há muito não se via. Não se pode conter um sorriso face a uma visão daquelas. Sentir que a música une almas e corações com uma força quase palpável é fantástico.

O palco, com um cenário simplista e sóbrio, de tons negros com detalhes a vermelho, era o alvo de todas as atenções, e o fogoso tango estava já ali presente, como uma presença espectral e latente, apenas esperando ser libertado.

Pouco passava das 22h15, quando o inicio do espectáculo acontece numa versão do classico “Cuesta Abajo” do enorme Carlos Gardel, despida de electrónica e apenas com a formação instrumental ou seja: bandoneón, guitarra, violino e piano e da voz incrivelmente hipnotizante, para alem de misteriosamente quente e sensual de Cristina Vilallonga.

Logo depois, Philippe Cohen-Solal, Cristoph Müller e Eduardo Makaroff mentores e DJ’s da banda, entram em cena de forma impressionante, por entre um cortinado de correntes, e onde a interpretação de "Epoca" do fantástico primeiro álbum, “Revancha Del Tango”, o tal que deu inicio a toda uma nova forma de sentir o tango, daria o mote a uma noite cheia de pontos altos.

Som nada menos que perfeito, e era bem obvio que se estava perante uma formação que dava atenção a cada pormenor, uma máquina que executa com mestria e exactidão tema após tema, um reportório cuja roupagem teve direito a ligeiras alterações para maior impacto ao vivo, (em especial a nivel ritmico) mas perdendo alguma solidez enquanto composições e identidade em relação aos arranjos originais, mas penso ter passado completamente ao lado da grande audiencia, dada a eximia interpretação dos temas em questão.

O recurso ao violino surpreendeu, impondo-se mesmo em alguns temas, dando-lhes um tom quase orquestral. Muito bem conseguido!

O 1º momento forte da noite teria o nome de “Rayuella”, obra chave do escritor Júlio Cortázar de origem argentina que os Gotan Project homenagearam no seu novo álbum “Tango 3.0”. Nesta música o uso em crescendo de um baixo “real” e não sintetizado, deu-lhe uma força arrepiante.

No cortinado de correntes, os vídeos projectados davam força ás composições, guiando a nossa imaginação de mão dadas com a visão da banda sobre o seus próprios temas. Ao contrário do que acontece na maioria dos casos, os vídeos encaixavam que foram cirúrgica, e não apenas como adorno ou algo parecido.

Alguns concertos são mesmo assim, uma conversa entre duas entidades, público e banda, onde a empatia e desafio constante apimentam cada momento.

Pode-se mesmo utilizar a palavra duelo, que tal como no tango, não tem como objectivo a derrota de uma das partes, mas sim o gozo do acto em si.

E os temas corriam, para deleito da audiência, tendo os mais conhecidos presença no alinhamento, alimentando a festa para quem escolheu ali estar, dois anos após a então anunciada tournée de despedida.

Foi sem margem para duvidas, o concerto perfeito para os fãs.

Uma década após o álbum “La Revancha Del Tango” surpreender o mundo com a fusão vanguardista entre os elementos ditos tradicionais do tango e a tal componente electrónica que tanto chocou como apaixonou, esses mesmo fãs estão hoje divididos quanto á qualidade do ultimo álbum.

Hoje tudo isso foi ultrapassado com um concerto da mais altíssima qualidade desta banda que esperemos não pare de inovar e de auto-renovar.

“Hay que saber mober los piez” pois claro!


(reportagem fotografica completa em breve)


Texto e Fotografia: Ricardo Costa



AGRADECIMENTOS:

Porto Eventos