SLASH

Slash

Paulo Barros

Coliseu do Porto, 22 Junho 2010



Com uma fila enorme até á entrada do Coliseu do Porto, acho que até á data poucos foram os eventos que tanto alarido provocaram naquele local.

Chega a ser comovente ver como as (já) várias gerações continuam a ter os Guns’N’Roses como a banda da sua escolha, aqui representada na figura do seu nada menos que genial guitarrista de nome SLASH.


A sua carreira a solo tem sido tudo menos aborrecida. Com imensa qualidade, não fosse ele quem é, com mais talento em um dedo mindinho do que a esmagadora maioria dos guitarristas contemporâneos. E não é com este álbum homónimo que nos desilude, pelo contrário.

Mas o SLASH tem um problema: ter pertencido àquela que se pode considerar uma das maiores bandas de rock de todos os tempos, senão mesmo a maior… as expectativas são sempre esmagadoras.

Traz-nos um álbum que não sendo um clássico, é das obras mais competentes e interessantes realizadas por um guitarrista de hard rock de que há memória. Exagero? Talvez. Mas não é isso que importa hoje.




Ninguém esperava nada menos que uma noite inesquecível. Serão as expectativas justificadas?


A 1ª parte estava prevista ser preenchida com a banda lisboeta Miss Lava, mas acabamos sendo servidos com um Paulo Barros em excelente forma com uma actuação cheia de momentos espantosos quer de empatia como de magnificência no seu instrumento a que ninguém fica indiferente. O guitarrista de Tarântula é um dos valores seguros em termos de virtuosismo técnico e consciência melódica, o que não é nada fácil para um solista.


Aqueceu o publico com a sua banda super eficaz, e agora venha o grande senhor da cartola.

Coliseu esgotado. Mesmo a “Geral” estava bastante ocupada. É lindo ver o Coliseu assim, em festa, no dia anterior á noite da festa de São João, ah pois é!

A expectativa sentia-se no ar, a fazer adivinhar os seus riffs pesadões.


Mal se apercebeu a bandeira de fundo, capa do ultimo album, com a inscrição R&F’n’R, mais umas caveiras e afins, o mote da noite estava dado.
















Hoje é de rock, mas de rock a sério de que se trata, e assim que os músicos pisaram o palco, temeu-se o desabar de paredes. Estrondosa, apoteótica recepção á trupe do nosso amigo de longa data.

Primeiros acordes do tema “Ghost” (que também abre o ultimo álbum), e o caos bizarramente organizado explodiu em uníssono.

SLASH é um ícone. É o representante da banda que um dia foi a mais perigosa, a mais apaixonante, a maior ameaça para a sociedade segundo muitos, e acima de tudo, a ultima grande banda de hard rock. Ainda não foi superada e dificilmente o será.

Não restam duvidas: os Guns’n’Roses vivem neste homem e não se avistam argumentos contra.















O homem saltava, rodopiava, corria o palco, e sempre a debitar som como se nada fosse, como se tocasse tal respirar...

Mesma pose, agora sem cigarro porque a idade e excessos passados assim o exigem, mesmo assim, mesmo quase 20 anos depois da era dourada, o homem é o tipo mais porreiro á face da terra, pinta de deus do rock, etc. Pertence aos eleitos e o resto é treta.

O alinhamento passou pelos vários projectos/bandas em que participou como o mal afamado “Slash’s Snakepit”, “Velvet Revolver” que divide as hostes, e claro, temas da tal banda, lembram-se?

"Nightrain" foi a primeira e raios me partam se perdeu poder algum! Arrepios á parte, e uns abananços de esqueleto depois, acho que muito boa gente nem precisou de fechar os olhos para se imaginarem a viajar no tempo.


Myles Kennedy é como alguns já sabem, um dos melhores vocalistas da actualidade. Sem mais nem menos. SLASH não poderia ter feito melhor escolha. O homem canta tudo com uma eficácia que chega a ser intimidante. Ah e depois toca guitarra, como no tema "Back from Cali".

É um frontman como há muito não se via por cá. E resulta bem melhor neste formato do que nos Alter Bridge, ele que me desculpe. A dada altura ouviram-se rumores que o ligavam aos Led Zeppelin, que mais querem?





























O resto da banda é constituída por Bobby Schneck na guitarra ritmo (lembram-se dele nos Aerosmith?), Todd Kerns (obrigado pedrosilva!) no baixo e o excelente Brent Fitz nas baquetas (com óptimas prestações a servido de Alice Cooper).






























Mas é noite de SLASH e ele não deixa créditos por mãos alheias.


“Civil War” foi o primeiro ponto brutal da noite (palavra tornada cliché eu sei)

Puro êxtase geral. Acabou o tema com um cheirinho de “Voodoo Child” e ainda se pensou que nos fosse dado esse presente mas outros vieram.

Os temas de seu reportório rodavam, e nada ficam a dever ao melhor hard rock, mas raramente um tema se destaca. Apenas com o hino “Sweet Child o’Mine”, e aquele riff um dia considerado o 3º melhor de sempre, datado de 1987, o publico voltou aos picos sensoriais ou talvez para lá desses mesmos.















Bandeira de Portugal no palco bem aproveitada por Kennedy (hasteou-a no tripé do microfone do vocalista) que sempre teve a audiência onde bem lhe apetecia, e até uma camisola do FCP com o nome do nosso amigo escrito.


Tivemos pois direito a dois encores onde foram incluídos dois hinos do rock, dando o toque brilhante a uma noite sensacional: “Communication Breackdown” e, já no 2º, sem T-Shirt ao estilo “bons velhos tempos", fomos brindados com uma poderosíssima “Paradise City”.















Slash de camisola do Futebol Clube do Porto na mão ao sair do palco, e o povo não podia pedir mais.

A expressão “guitar hero” perdeu muito uso nos últimos 15 (?) anos, com álbuns inteiros sem qualquer solo.

Tudo bem.

Respeitemos é claro, mas este homem influenciou uma geração de Guitarristas (sim, com o tal “G”- não a nota musical nem a outra cena em que estão a pensar ok?). E não duvido que mudou a forma de encarar uma Les Paul (ou qualquer outro pedaço de madeira com 6 cordas), tendo-se tornado no símbolo de muitas coisas que mudaram, acabaram e se re-inventaram.


E ele está aí, como o bom hard rock, o que se manteve e o que está agora a levantar a sua cabeça carregada de SEX DRUGS AND ROCK’N’ROLL!!!


UM CONCERTO QUE FICA NA HISTÓRIA DESTA CIDADE!
















SETLIST:

Ghost

Mean Bone

Nightrain

Sucker Train Blues

Back From Cali

Beggars & Hangers on

Civil War

Rocket Queen

Fall To Pieces

Dirty Little Thing

Nothing To Say

Starlight

Watch This

Godfather

Sweet Child O’Mine

Rise Today

Slither

1º Encore

By The Sword

Communication Breackdown


2º Encore

Paradise City



Fotografia: Ricardo Costa

Texto: Ricardo Costa & Bruno Castro




AGRADECIMENTOS:


Everything Is New



8 comentários:

  1. Anónimo24.6.10

    FABULOSO!!!!

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  2. boa reportagem,parabéns. apenas o nome do baixista está errado. quem toca nesta digressão é Todd Kerns (Sin City Sinners...etc etc) abraço, pedrosilva

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  3. ^Boas

    Excelentes fotos!!

    Mas na set list falta uma música...Slither !!! xD

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  4. Anónimo24.6.10

    Faltam duas...

    Rise Today e a Slither


    (Grande texto e fotos! ;) )

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  5. @Xanax:

    Obrigado!

    Quanto á setlist para além da Slither faltava tambem a Rise Today! Quando a escrevi ainda estava com a Sweet Child na cabeça e ficou mesmo por ali! :))))

    Corrigido! Sempre á vontade ok? Abraço!

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  6. @pedrosilva

    Correcção efectuada! Os tipos são parecidos! ;)

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  7. Alguem me consegue arranjar as fotos de antes do concerto... pedi ao fotografo para me tirar a mim e a um colega meu e ele disse para virmos buscar aqui mas não as encontrei...

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  8. @ fil_v_m: Envia o teu contacto para geral@imagemdosom.com ;)

    As fotos publicadas resultam de uma selecção editorial.

    Fotos do publico serão disponibilizadas a pedido :)

    Que tal a reportagem? Gostaste?

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