TARA PERDIDA, ENTREVISTA

TARA PERDIDA - ENTREVISTA


VOZ DO OPERÁRIO
LISBOA, ABRIL DE 2010



Depois do sound check da passada sexta-feira, nos camarins da Voz do Operário, em Lisboa, estivemos à conversa com três Taras.

Num ambiente descontraído, convictos de que tudo estaria no ponto certo, para, à hora marcada, a multidão que invadiria a sala, percorrer quinze anos de punk rock, Ganso, Ruka e Kistos, lembraram o passado e marcaram o futuro. Um e outro, poderosos, feitos a pulso, álbum a álbum, concerto a concerto.

Os Tara Perdida celebram quinze anos de palco; um longo caminho. Como foi o percurso que vos trouxe até aqui, hoje?

Ganso - Foram quinze anos muito bem passados. Isto é como uma segunda, às vezes até, como uma primeira família. Somos cinco pessoas, temos que nos dar bem obrigatoriamente; somos todos amigos… e, são quinze anos, essencialmente a tentar batalhar, no sentido de ter mais espectáculos, de gravar mais discos, de tocar sempre mais e mais; quanto mais tocamos, mais queremos tocar.

Neste país, que é um bocado “limitado”, até nos temos safado bem. Considero que a carreira dos Tara Perdida tem sido feita a subir muito devagarinho, degrau a degrau. Não há cá um hit single de rádio, em que passamos de um Ritz Club para um Coliseu dos Recreios cheio, não existe isso. Fomos sempre subindo devagar, álbum a álbum.

Hoje em dia, podemos dizer que temos um excelente público.

Se queremos mais?

Claro que queremos mais… queremos fazer vinte anos, queremos fazer trinta…

Vocês acham que estão no ponto alto da vossa carreira, ou ainda não chegaram lá?

Ruka – Agora como acabámos de trocar novamente de baterista, parece que isto, de alguma maneira, foi bom para a banda, porque nos dá outra energia; quando já estávamos numa fase de cansaço, há males que vem por bem, e agora acaba por ser um renascer… estamos a meter as coisas todas de pé como se estivéssemos a começar novamente; por isso, isto parece um bom presságio, pode ser que a gente por aqui ande por mais uns anos.

Consideram-se a maior banda de punk rock em Portugal?

Ruka – A maior?... (risos) acho que não…

Em termos musicais, não digo em termos quantitativos, mas de qualidade…

Ruka – Bem, a gente tem promoção e isso às vezes faz com que as cenas sejam maiores do que aquilo que são. Temos tido sorte, temos gravado discos, dvd, temos feito muitas cenas que muita gente gostava de fazer; temos tido sorte com as pessoas que estão no nosso caminho, mas trabalhamos para isso.

Não, não nos consideramos a maior banda de punk rock portuguesa. Eu, pelo menos, não nos considero como tal. Sei que a gente tem um grande valor e é um grande orgulho chegar aqui e saber que isto está praticamente cheio, sem as pessoas virem comprar bilhetes à bilheteira; isso dá orgulho, claro que sim. É para isso que trabalhamos, para conseguir cada vez mais público. E, é como disse, temos sorte com a agência (Oficina da Ilusão, n.d.r.) que temos; isso faz com que sejamos bem promovidos, e com que as pessoas conheçam a banda. Há por aí muitas bandas boas que, se tivessem a promoção que a gente tem, com certeza que as pessoas iam dizer “que grande banda” e que valia a pena. Mas isto é o país que temos e nós tivemos sorte.

E gravar? Estão em estúdio, vai sair alguma coisa?

Ganso – O Pedro (baterista, n.d.r.) está connosco há sensivelmente um mês e meio; antes do Pedro, com o Rodrigo, estávamos em processo de composição, tínhamos cerca de oito músicas novas. Com a substituição de baterista, isto veio atrasar tudo.

Neste momento estamos preocupados em pôr o espectáculo em pé, no sentido de que se aparecerem concertos estarmos preparados para os fazer; então, injectámos vinte e quatro músicas aqui ao Pedro, tipo “tens um mês e meio para as decorar e para as tocar”…

E ele decorou-as, ou não?

Ganso – Isso ele que responda, porque eu ainda não sei essa resposta… (risos)

Pedro (Kistos) – Nem metade… (risos)

Então vai ser meio improviso…

Kistos – Vai a olho…

Ruka – Se o martelo bater ao lado, bate na mesa… (gargalhada geral…)

E tu, Kistos como te sentes, de novo, um Tara Perdida?

Kistos – Muito fraquinho, muito fraquinho… não… agora a sério, isto tem sido complicado, porque estar seis anos sem tocar e de repente ter de fazer um concerto num mês, além de, quase, ter que aprender a tocar, porque são seis anos sem fazer nada, dá muito trabalho. Então para eles é massacrante, porque têm que estar a tocar as músicas que já tocam há quinze anos, dez, vinte, trinta, cinquenta vezes, até que eu saiba aquilo tudo como deve ser.

E o que é que tu esperas do futuro dos agora teus Tara Perdida?

Kistos – Isto aqui é um futuro promissor…

Ganso – Nã, mais um ano ou dois e isto acaba, é para fazer depois o último concerto…

Mas não é uma coisa tipo Delfins…

Ruka – Mas isso resulta, isso resulta… (risos)

E concertos, como vai isso de agenda’

Ruka – Já temos alguns. Está-se a começar a marcar e agora, quando olhamos para a agenda, já ficamos contentes. A gente sabe que não tem disco, entendes… sabemos que temos que gravar, que ter um disco. Em Portugal, as coisas resumem-se um bocado a isso; as cenas de promoção, com o disco na mão, resultam mais rápido; é mais fácil com os media. Mas é como eu te dizia há um bocado, nós temos tido sorte.

Qual foi o momento mais alto da vossa carreira?

Ruka – Para mim… o Coliseu, claro que é aquela cena da consagração da banda, mas acho que o Dvd, a gravação do Dvd, para mim, é capaz de ter sido o auge de um concerto Tara Perdida.

Ganso – Há vários momentos. Há o Coliseu, há o Dvd. O Dvd foi uma coisa muito importante porque, para já, não estávamos à espera de ter a recepção que tivemos, além da casa estar completamente cheia, ficaram umas setecentas pessoas lá fora; e, isso quer dizer muita coisa.
Lembro-me também de Faro. Nos últimos cinco, seis anos temos ido a Faro, à queima das Fitas; começámos por abrir o palco secundário e nos últimos anos já o fechávamos. E, é engraçado, para tu veres a evolução das coisas, um ano estás a abrir e no outro vais fechar. E, pensas assim… “fogo, subiste assim tanto de um ano para o outro?...” não é subir no sentido de seres “o maior”, mas, abrir um palco é uma coisa, fechar é outra bem diferente. Fomos sempre muito bem recebidos em Faro.

E depois, Coliseu, por ser a sala que é, por ser uma sala mítica.

Infelizmente não tocamos muito no Porto. Tocávamos no Hard Club que, pelo que sabemos, vai reabrir este ano. Esperamos ir lá um dia, porque, no Porto realmente não se tem proporcionado.

Ruka – O concerto que fizemos no Batalha foi muito bom

Ganso – Foi porreiro, o Batalha. Adoramos a sala; acho que era propício meter lá uns skaters, que aquilo vem a descer… não conhecíamos a sala. Foi mesmo muito porreiro. Gostávamos de ir mais vezes ao Porto.

Ruka – Não somos sulistas. Curtimos bué comida. Agora que estamos a ir para mais velhos… (risos) um gajo quando é puto, não se interessa por comer, quer é beber, mas agora a gente quer é comer. Então curtimos a comida do Porto… das francesinhas. O baixista, o Jaime, tripa com francesinhas (mais risada geral)… come duas ou três se for preciso; e aquilo, como tu sabes é enorme, eu só de olhar, já nem lhe toco, e ele…

Então estão desde já convidados pela Imagem do Som, para uma grande ceia de francesinhas, da próxima vez que forem ao Porto.

Convite aceite, a conversa ficou por ali.

Os Tara, também por serem assim, de bom trato, sem quaisquer tiques de vedetismo, tornaram-se numa banda de referência no nosso panorama rock.

Aos cinco e a toda a equipe, a Imagem do Som, felicita, pelos quinze anos de carreira.

ENTREVISTA : I.A.C.
AGRADECIMENTOS


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